Líder do PCC foi morto em Praia Grande um mês antes da execução de ex-delegado-geral
Criminoso era um dos mais procurados do país e morreu em confronto com a Rota
Um homem apontado como líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) foi morto pela Rota (tropa de elite da Polícia Militar) em Praia Grande, cerca de um mês antes do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes ser executado na mesma cidade.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, o criminoso morto era Luken Cesar Burghi Augusto (foto), considerado um dos mais procurados do país. Ele estava foragido e acumulava mais de 46 anos de condenação.
O confronto com os policiais ocorreu em 10 de agosto.
“Infelizmente, o indivíduo optou pelo confronto, atirou nos policiais e não restou outra alternativa a não ser a neutralização”, disse Derrite em vídeo divulgado nas redes sociais.
Histórico criminal
Luken foi condenado por envolvimento em um mega-assalto a um cofre de empresa de transporte de valores, em Araçatuba, em 2017.
Na ocasião, ele e outros dois criminosos invadiram o local armados com fuzis de três calibres diferentes e pistolas.
Durante a ação, houve troca de tiros com a polícia, que resultou na morte de um policial civil e em diversos carros atingidos por disparos nas imediações.
Derrite liga crime ao PCC
Em entrevista coletiva, Derrite disse ‘não restar dúvidas’ de que a execução de Ruy Ferraz Fontes pode ser atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
No entanto, ele afirmou que as autoridades ainda investigam a motivação do crime.
“Para nós, não resta dúvida. A dúvida, e a gente não descarta possibilidades, é se a execução foi motivada por conta do combate ao crime organizado durante toda a carreira do delegado ou por conta de uma atuação atual como secretário municipal em Praia Grande. Agora, que há participação do crime organizado, não resta dúvida por conta principalmente do Masquerano [Felipe Avelino da Silva], que é um indivíduo […] que pertence à organização criminosa PCC por conta dos trabalhos de inteligência tanto do DIPOL [Departamento de Inteligência da Polícia Civil] quanto do Centro de Inteligência da Polícia Militar.
Então tem um histórico de relatórios de inteligência [dizendo] que ele exerce inclusive uma função de final da disciplina [nome dado à liderança que dita as regras dentro do PCC], como assim chamado, na região do ABC. Uma função de relevância dentro da organização criminosa. Então não tem como descartar. Isso é um fato. O crime organizado participou da execução. Agora a motivação é que ainda está em aberto, e nós estamos avaliando as duas possibilidades.”
A execução do ex-delegado-geral
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, foi executado a tiros na segunda-feira, 15, enquanto dirigia um carro na cidade, no litoral sul de São Paulo.
Segundo informações da Polícia Militar, o crime ocorreu por volta das 18 horas, na avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim, nas proximidades do Fórum da cidade.
Testemunhas relataram que os criminosos desceram de outro veículo e atiraram diversas vezes contra o carro de Fontes.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ordenou a mobilização total da Polícia Civil para encontrar os assassinos do ex-delegado-geral.
Leia mais: Derrite atribui execução de ex-delegado ao PCC: “Isso é fato”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)