ABC suspende Jimmy Kimmel por acusações falsas sobre Charlie Kirk
Audiência em queda e pressão política aceleraram decisão da emissora
A ABC suspendeu nesta quarta, 17, o “Jimmy Kimmel Live!” por tempo indeterminado depois da repercussão de falas do apresentador sobre o assassinato de Charlie Kirk.
A medida foi anunciada após a Nexstar Media Group, maior operadora de afiliadas da rede, declarar que não exibiria mais o programa.
O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, também pressionou a emissora e ameaçou sanções.
Kimmel havia afirmado em seu monólogo que apoiadores de Donald Trump tentavam dissociar o assassino de Kirk do movimento MAGA.
Ironizou ainda o luto oficial, comparando a postura do ex-presidente a “uma criança de quatro anos que perdeu um peixinho dourado” e zombou da decisão de hastear bandeiras a meio mastro.
O episódio provocou reação imediata.
Andrew Alford, executivo da Nexstar, classificou as falas como “ofensivas e insensíveis”.
Em Washington, Carr chamou os comentários de “conduta doentia” e cogitou rever licenças de afiliadas. Trump celebrou o afastamento em sua rede Truth Social.
A apresentadora Megyn Kelly também acusou Kimmel de mentir ao associar o assassino ao movimento conservador, dizendo que já havia provas do envolvimento do suspeito com ideologias de esquerda quando o comentário foi feito.
Audiência em queda
A audiência de Kimmel já vinha despencando.
Em setembro de 2025, o programa perdeu 11% de público, caindo para 1,1 milhão de espectadores. Naquele mês, chegou a registrar menos de 800 mil telespectadores semanais, queda de 26% em relação à semana anterior. Entre janeiro e agosto, a audiência despencou de 1,9 milhão para pouco mais de 1,1 milhão.
A receita publicitária dos três principais programas do segmento, Kimmel, Stephen Colbert e Jimmy Fallon, caiu de US$ 404 milhões em 2018 para US$ 200 milhões em 2024. Mesmo líder de audiência, Colbert chegou a perder até US$ 50 milhões por ano.
O programa de Kimmel sozinho viu sua receita cair 42%, de US$ 121 milhões em 2018 para US$ 70 milhões em 2024.
Enquanto isso, Greg Gutfeld, da Fox News, consolidou-se como alternativa.
Seu talk show supera os 3 milhões de espectadores por noite e, em agosto, sua participação no “Tonight Show” de Fallon elevou a audiência do rival em 57%. Operando com uma equipe enxuta de 20 pessoas, contra cerca de 200 nos concorrentes, o programa se tornou altamente lucrativo.
A suspensão de Kimmel ocorre no momento em que o streaming ultrapassa pela primeira vez a TV linear nos Estados Unidos.
O público jovem prefere clipes no YouTube e no TikTok, sem acompanhar programas de 90 minutos em tempo real.
A polêmica pode ter servido como pretexto conveniente: o formato já sangrava audiência e dinheiro.
De “The Man Show” ao ativismo de esquerda
Jimmy Kimmel começou na TV com The Man Show, no fim dos anos 1990, ao lado de Adam Carolla. O programa tinha cerveja, mulheres de biquíni e piadas que hoje são vistas pela esquerda como “machistas”.
A partir de 2010, no comando do Jimmy Kimmel Live!, ele mudou completamente de tom.
Passou a defender pautas identitárias radicais e se tornou um crítico feroz de Donald Trump e da sua base eleitoral.
O estilo progressista lhe rendeu apoio da esquerda, mas afastou parte do público que buscava humor leve.
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Comentários (2)
Annie
18.09.2025 11:06Bem feito.
Fabio B
18.09.2025 06:18Algumas pessoas são tão embolhadas, tão descoladas da realidade, que não conseguem conter toda sua perversidade.