Celso Amorim acusa EUA de confundir combate às drogas com terrorismo
"Não se pode confundir, por pior que seja, o combate às drogas com terrorismo, que é uma outra coisa, que visa a destruir os Estados", afirmou o assessor de assuntos internacionais de Lula
Celso Amorim, principal conselheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em assuntos de política externa, manifestou sua preocupação em relação à presença de navios de guerra dos Estados Unidos na América Latina.
Recentemente, o presidente Donald Trump anunciou que a Marinha americana realizou um ataque no Caribe que resultou na morte de três indivíduos, os quais foram caracterizados como “narcoterroristas venezuelanos”.
Este ataque se seguiu a uma operação anterior, ocorrida em 2 de setembro, onde 11 pessoas foram mortas em uma embarcação supostamente utilizada por traficantes.
Em entrevista ao jornal O GLOBO, Amorim criticou a ação americana, afirmando haver aí uma confusão entre guerra contra drogas terrorismo:
“O combate às drogas tem de ocorrer, mas baseado na cooperação e na ação soberana dos Estados. Você pode até aceitar a cooperação, mas não através de ameaça militar. Acho também que não se pode confundir, por pior que seja, o combate às drogas com terrorismo, que é uma outra coisa, que visa a destruir os Estados. É uma coisa diferente e tem de ser outra concepção.”
Em relação à possibilidade de novas sanções dos EUA contra o Brasil, o conselheiro de Lula declarou: “A gente não sabe qual o limite entre a ameaça e a bravata, mas acredito que a racionalidade vai prevalecer”.
Na mesma entrevista, Amorim comentou sobre o discurso que o presidente Lula fará na Assembleia Geral da ONU na próxima semana. Ele antecipou que o discurso abordará temas como soberania, democracia e a defesa do multilateralismo.
Sobre a proximidade entre Brasil e China, Amorim reafirmou que “o Brasil tem boas relações com todos os países, mas a China hoje é o país que economicamente mais cresce no mundo”.
Em relação ao Brics, o diplomata e assessor de Lula falou: “o Brasil dá muita importância aos Brics, mas dá muita importância ao G-20 também. E esse é um bom momento de discussão”.
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