“Muita gente se esquece que a África foi, literalmente, o berço da humanidade”, diz o influenciador angolano Baptista Miranda a Madeleine Lacsko no programa de estreia do podcast Ladoa!.
Miranda, que acumula mais de 3,5 milhões de seguidores no Instagram e quase 1 bilhão de visualizações no YouTube com o Achismos TV, falou sobre a visão distorcida que muitos brasileiros têm da África, especialmente em relação à religião.
“Quando eu cheguei aqui no Brasil, as pessoas vieram logo me perguntar: ‘Nossa, você é de que religião?’ Eu falei: ‘Ah, catolicismo, sou católico’. ‘Nossa, mas você, africano, é católico?’ Eu falei: ‘Como assim?’ Eles me falaram sobre a religião de matriz africana, acho que tem a macumba. tem tudo isso. né?”, comenta o influenciador, que criticou a postura estrangeira de querer proteger os africanos, algo que acaba rebaixando os habitantes do continente.
Humor e militância
Madeleine e Miranda também tratam das diferenças do português falado em Angola e no Brasil, trataram do conceito de apropriação cultural e comparam a forma como o humor é feito e encarado nos dos países.
“Não existe humor negro, também porque é Angola, lá todo mundo é preto. Lá só existe humor, e é real quando eu falo isso. As pessoas não acreditam. Minha mãe me falava: ‘Ô, seu escuro, seu preto seu escurimbamba, sua escuridão, seu macaco’. Era isso, e eu não chorava, eu não olhava para aquelas falas da minha mãe e falava: ‘Nossa eu sou preto, ai, vou chorar.
Você pode muito mais do que simplesmente só chorar, porque você pode se blindar com relação a isso e com relação à comédia. A comédia em Angola é muito mais pesada, diferente daqui do Brasil. Muito mais pesado. Aqui, o pessoal escolhe muito quem pode ou não pode fazer piada, isso para mim é errado. Eu não gosto de ver militâncias, isso me incomoda”, diz o influenciador.
Polarização
Apesar do incômodo com o policiamento do humor, Miranda manifestou sua admiração pelo Brasil.
“Vocês são um dos melhores países do mundo, vocês não têm essa noção, é isso que não entra na minha cabeça”, comenta o influenciador, lamentando que a polarização que ele vivenciou em Angola, um país que saiu recentemente de uma guerra civil de décadas, esteja ocorrendo no Brasil.
“Vocês se dividem muito, ‘ai, fulano vota no X, vota no Y, então não vou falar com ele’. Até futebol é assim, até futebol, que é a vossa maior paixão. Eu fico triste com vocês, zuca”, analisa, usando o termo com que os angolanos se referem aos brasileiros, que ele também explica no programa.
Assista à íntegra da conversa: