MP pede suspensão de show de Leonardo em Teresópolis
Órgão alega que município decretou recentemente estado de calamidade financeira e reconheceu cerca de R$ 700 milhões em dívidas
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com uma ação civil pública para suspender o show do cantor Leonardo (foto) em Teresópolis, marcado para 21 de setembro, por suposto gasto desproporcional de R$ 800 mil.
O MPRJ afirma que o município decretou recentemente estado de calamidade financeira e reconheceu cerca de R$ 700 milhões em dívidas, incluindo atrasos em salários, verbas rescisórias e repasses a hospitais conveniados ao SUS.
Segundo o promotor Rafael Luiz Lemos de Sousa, a ação “não se trata de impedir manifestações culturais, mas de coibir gastos desproporcionais enquanto serviços básicos permanecem desassistidos”.
A Prefeitura de Teresópolis, sob comando do prefeito Leonardo Vasconcellos (União), alegou “falta de dinheiro”, conforme relato da promotoria. O MP afirma que já havia buscado diálogo para averiguar o “não cumprimento de obrigações e deveres assumidos”.
Além de pedir a suspensão do show, a ação solicita que seja proibido “qualquer pagamento com recursos públicos para a realização da festa”. Caso o pedido seja aceito, o município terá 24 horas para informar e justificar todos os gastos relacionados à feira agropecuária FEPORT 2025.
Mato Grosso
O caso remete a situações semelhantes em outros estados.
Em maio, a Justiça de Mato Grosso anulou a contratação de Leonardo pela Prefeitura de Gaúcha do Norte, onde um show realizado no ano anterior custou R$ 750 mil. A decisão identificou superfaturamento e determinou devolução de R$ 300 mil aos cofres públicos.
Levantamentos do Ministério Público de Mato Grosso mostraram que o cachê de Leonardo em apresentações anteriores variou entre R$ 380 mil e R$ 550 mil, muito abaixo do valor contratado em Gaúcha do Norte. O município tem pouco mais de 8,6 mil habitantes, e a média de preço de shows na região é de R$ 432 mil.
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Comentários (2)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
13.09.2025 19:35Se der algum tipo de incentivo sem precisar sacar o "talão de cheques do erário", certamente existirão empresários e associações que coordenarão esses shows. Naõ pode ir o artista super caro, há outros mais baratos e povo irá divertir-se do mesmo modo.
Fabio B
13.09.2025 11:23Eu fico imaginando quantos bilhões de reais por ano seriam economizados se fosse proibido destinar dinheiro público para artista e essas festas.