Dennys Xavier na Crusoé: O Brasil precisa abandonar a esperança
Um país eternamente deitado em berço esplêndido não pode dar certo, precisamente porque troca o esforço pela expectativa e a responsabilidade pelo repouso simbólico
No Brasil, a esperança tornou-se um narcótico moral, um entorpecente coletivo que alivia a dor do presente ao preço da paralisia da ação.
O brasileiro, saturado de promessas messiânicas e habituado a delegar o destino ao acaso, à providência ou ao Estado, aprendeu a esperar: e nisso se cristalizou sua estagnação histórica.
Espera por um salvador, por uma solução vinda de fora, por um amanhã que é apenas o hoje adiado por covardia. Essa disposição anímica, embora aparentemente virtuosa, é um vício da alma, uma abdicação da razão em favor do misticismo passivo.
A vida humana exige propósito, não esperança. Enquanto esta se ancora na incerteza e alimenta a passividade, o espírito da entrega da própria história ao acaso, ao fortuito, aquele é o motor ético da existência racional.
Esperança é resignação infantil, é admitir a impotência diante de situações nas quais a impotência não precisa se impor como definitiva; ter propósito, ao contrário, é afirmar a própria potência criadora diante do mundo.
Como afirma Ayn Rand em A Virtude do Egoísmo, “o homem, cada homem, é um fim em si mesmo, não um meio para os fins dos outros. Ele deve existir para seu próprio bem, buscando sua própria felicidade como o mais alto propósito moral de sua vida”.
Nesse sentido, viver com propósito não é apenas uma escolha prudente, mas um imperativo ético.
Não se trata de desejar um futuro melhor, mas de construí-lo com as próprias mãos, segundo valores conscientemente escolhidos e objetivos racionalmente definidos.
A esperança, especialmente em sua versão popular brasileira, da passividade-festiva, é tributária de uma ética da submissão, herdeira de mitos religiosos e do estatismo moderno.
Ensinou-se ao povo que sofrer é virtude, que esperar é sinal de fé, que aceitar é sinal de humildade.
Ora, não há maior vício…
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