Roberto Ellery na Crusoé: Por que o dólar caiu (e o que isso nos ensina)
Juros altos atraem dólares ao Brasil, aumentando a oferta da moeda americana e valorizando o real
Deus criou o câmbio para ensinar humildade aos economistas, dizia Mário Henrique Simonsen.
Prever a taxa de câmbio é tarefa inglória – estudos mostram que sua volatilidade desafia até os modelos mais sofisticados, a ação de forças globais e locais complexas podem tornar a previsão da taxa de câmbio uma tarefa impossível.
Ainda assim, arrisco-me a explicar por que o dólar, que beirou 6,30 reais no início de 2025, caiu para cerca de 5,40 reais em setembro. Mais que um exercício de macroeconomia, o texto oferece lições cruciais para o Brasil.
No começo do ano, a disparada do dólar assustou. Muitos temeram que o mercado estivesse sinalizando o pior: uma dívida pública insustentável.
Com o Brasil devendo mais que a média dos emergentes e sem sinais de superávits primários, a hipótese não era absurda.
Em um país onde os juros superam o crescimento econômico, a persistência de resultados primários negativos pode ser fatal.
Não era absurdo pensar que a falta de um compromisso sólido com o ajuste fiscal e a consequente piora na dinâmica da dívida pública eram as responsáveis pela forte desvalorização do real.
Felizmente, não foi o caso, afinal, mesmo sem um esforço fiscal digno de nota, o dólar caiu e estabilizou.
Três fatores ajudam a entender a queda do dólar.
O primeiro é o governo Trump. Nos Estados Unidos, as idas e vindas da guerra comercial e da política econômica em geral, somadas às pressões de Trump sobre o Federal Reserve – por exemplo a recente tentativa de demitir a diretora Lisa Cook –, abalam a confiança no dólar como “porto seguro”, o ativo procurado em crises.
Com isso, a demanda pela moeda americana cai e o dólar perde valor globalmente, beneficiando o real.
O segundo fator é a elevação dos juros pelo Banco Central. A história recente não parece dar suporte às usuais críticas de que juros altos prejudicam os pobres e freiam o crescimento da economia.
Governos como os de FHC e Lula, marcados por taxas elevadas, mantiveram popularidade nas urnas.
Da mesma forma, períodos…
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