Celulose brasileira fica livre de tarifa após recuo de Trump
Trump recua de sobretaxa sobre celulose e ferro-níquel, aliviando empresas brasileiras. Café e cacau seguem tarifados.
A decisão do governo dos Estados Unidos de suspender a tarifa de 10% sobre a celulose brasileira foi recebida como um alívio estratégico para o setor exportador, que vinha acompanhando com preocupação a medida anunciada em agosto.
O recuo sinaliza uma calibragem da Casa Branca diante da pressão de diferentes frentes, entre lobby de indústrias americanas que dependem da matéria-prima e o temor de insatisfação do público americano com a subida de preço de produtos que dependam desses insumos
A celulose é um dos principais produtos da pauta exportadora do Brasil para os EUA, com forte peso nas contas do agronegócio e da balança comercial.
A sobretaxa imposta inicialmente ameaçava margens de competitividade, em um mercado global já pressionado pela desaceleração econômica e pela disputa de preços com países como Canadá, Chile e Finlândia.
A reversão, portanto, devolve previsibilidade e reduz tensões imediatas para companhias brasileiras como Klabin e sobretudo Suzano, a maior produtora e exportadora mundial de celulose, que têm forte presença no mercado americano.
Ainda assim, a medida teve caráter seletivo. Produtos como café e cacau seguem sujeitos a tarifas, o que mantém pontos de atrito entre Brasília e Washington.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), chefiado pelo Vice-Presidente Geraldo Alckmin, o governo brasileiro continuará negociando para ampliar o acesso de outras cadeias produtivas, em especial aquelas em que o país é líder global.
A sinalização é de que o gesto americano abre espaço, mas não encerra a agenda de disputas tarifárias.
Outro aspecto importante foi a inclusão do ferro-níquel na lista de bens com tarifas suspensas, beneficiando diretamente mineradoras com operações integradas ao mercado dos EUA, como a Vale.
Essa decisão reforça a percepção de que Washington também sabe agir de forma pragmática, escolhendo setores onde a dependência externa é mais sensível.
A movimentação ocorre em um cenário de maior pragmatismo da política comercial americana, marcada por ajustes pontuais e medidas de efeito político imediato.
Em paralelo, as empresas brasileiras seguem tentando ampliar a diversificação de mercados enquanto reforçam a diplomacia econômica, observando se questões políticas, como a condenação de Bolsonaro, não vão interferir negativamente nessas negociações com os EUA.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)