SP tem 35 mil roubos de celular em 7 meses
Levantamento com dados da SSP aponta queda de 13,3% ante 2024 e concentra maior número de ocorrências à noite; Capão Redondo lidera registros
A cidade de São Paulo registrou 35.385 roubos de celular entre janeiro e julho, média de 167 casos por dia, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) compilados para o período.
Na comparação com os mesmos sete meses de 2024, quando houve 40.821 queixas, a queda foi de 13,3%. Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, apontam subnotificação e defendem que o patamar segue elevado para a capital.
Os boletins indicam que a maior parte das ocorrências ocorreu à noite, com 15.441 registros. Em seguida aparecem a tarde, com 7.006 casos, a madrugada, com 6.734, e a manhã, com 6.151. Em 53 boletins o horário não foi preenchido corretamente. As categorias seguem a metodologia informada pela SSP, que classifica os turnos do dia de forma padronizada nos bancos de dados criminais.
O mapeamento por delegacias aponta concentração no extremo sul. O 47º Distrito Policial, no Capão Redondo, teve 1.332 registros e lidera a lista. Na sequência vêm o 14º DP (Pinheiros), com 1.185, o 37º DP (Campo Limpo), com 1.175, o 92º DP (Parque Santo Antônio), com 916, e o 23º DP (Perdizes), com 909. Também figuram entre os que mais registraram casos o 3º DP (Campos Elíseos), com 867, o 1º DP (Sé), com 864, o 100º DP (Jardim Herculano), com 747, o 12º DP (Pari), com 741, e o 4º DP (Consolação), com 654.
As vias com maior incidência, de acordo com os boletins, foram a Avenida do Estado, com 207 casos, e a Avenida Cruzeiro do Sul, com 201. A lista inclui ainda a Estrada do M’Boi Mirim (160), a Rua Augusta (147), a Avenida Presidente Castelo Branco (139), a Estrada de Itapecerica (127) e a Avenida Sapopemba (122). Entre os corredores centrais, aparecem a Avenida Celso Garcia (113), a Avenida Doutor Assis Ribeiro (108) e a Avenida Paulista (107).
Para o professor da FGV Rafael Alcadipani, que integra o Fórum de Segurança Pública, a retração percentual não traduz, por si, melhora consistente. Ele afirma que a subnotificação é alta e que parte das vítimas não registra boletim de ocorrência. Segundo ele, os criminosos miram não apenas o valor do aparelho, mas o acesso a dados pessoais e bancários, o que transforma o telefone em um alvo de interesse para quadrilhas.
Alcadipani defende patrulhamento com base em dados e ações mais duras contra a receptação de aparelhos, etapa que alimenta o mercado ilegal. Ele também cita a responsabilidade do consumidor ao evitar adquirir celulares de procedência desconhecida, prática que, segundo o pesquisador, incentiva a cadeia criminosa e dificulta a recuperação de bens.
A SSP informa, em suas bases públicas, que o levantamento considera apenas ocorrências de 2025 e exclui duplicidades. Casos de anos anteriores inseridos neste ano não entram no total. A base permite recortes por horário, delegacia e logradouro, o que explica a identificação de pontos de maior risco e horários de pico.
O conjunto dos dados de janeiro a julho mostra, assim, redução ante 2024, mas mantém a capital em patamar alto de registros.
A leitura conjunta dos mapas por delegacia e por via indica que áreas comerciais e eixos de transporte concentram ocorrências, com destaque para corredores viários e regiões com grande fluxo de pedestres.
As informações podem orientar tanto o planejamento policial quanto medidas de prevenção do usuário, como ativação de bloqueios, uso de senhas e registro do IMEI para facilitar eventual rastreamento.
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