Moraes defende delação de Cid
"Beira a litigância de má-fé", disse o ministro do STF sobre as alegações de que seriam oito delações contraditórias
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, defendeu nesta terça-feira, 9, a validade do acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).
O acordo foi questionado pelas defesas dos réus do “núcleo 1” do julgamento da trama golpista.
“Da mesma maneira, não deve prosperar a alegação de violação das cláusulas do acordo [de delação premiada de Mauro Cid], inexistindo qualquer nulidade. As defesas, inicialmente, é importante pontuar, insistem, eu diria que confundem, os oito primeiros depoimentos dados sucessivamente em 28 de agosto de 2023 com oito delações contraditórias.
Isso foi reiteradamente dito aqui, como se fosse uma verdade. Isso, com todo o respeito, beira a litigância de má-fé. Isso beira a litigância de má-fé dizer que os oito primeiros depoimentos foram oito delações contraditórias. Ou beira o total desconhecimento dos autos, não leram os autos, ou beira a litigância de má-fé, porque basta a leitura da colaboração premiada para verificar que, por uma estratégia de investigação, essa estratégia pode ser mais correta ou menos correta, mas por uma estratégia de investigação, a Polícia Federal resolveu, ao invés de um grande depoimento único no dia 28 de agosto de 2023, resolveu fracioná-lo em oito depoimentos, porque eram oito fatos diversos.
Quero aqui recordar para aqueles que leram efetivamente os autos que uns falavam sobre joias, vários sobre joias porque eram momentos diversos sobre joias, outros falavam sobre vacinação, sobre falsificação de vacina, outros falavam sobre tentativa de golpe.
Ou seja, são oito depoimentos que poderiam tranquilamente estar num único mega depoimento, com capítulos, mas são oito depoimentos sobre fatos diversos. Não são contraditórios e muito menos a alegação de que são oito delações.”
O julgamento de Bolsonaro
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira, 9, o julgamento da ação penal que apura a atuação do “núcleo 1” na tentativa de golpe de Estado.
O julgamento foi retomado com o voto do ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso. Conforme apurou este portal, a tendência é que Moraes adote um tom duro, com referências, inclusive, ao 7 de Setembro e às investidas de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, nos Estados Unidos para coagir a Suprema Corte.
A manifestação de Moraes tende a ser longa. Na semana passada, o ministro pediu que o presidente da turma, Cristiano Zanin, convocasse mais duas sessões para julgar o ex-presidente. A expectativa é que o voto de Moraes seja proferido ao longo da manhã desta terça-feira. Moraes é apontado como o ministro que advogará pelas penas mais duras contra Jair Bolsonaro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)