Primeiro-ministro do Japão renuncia após derrota eleitoral
Governo de Shigeru Ishiba perdeu a meta de conquistar 50 assentos na câmara alta do Parlamento nas eleições de julho
O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba (foto), anunciou neste domingo, 7, que pretende deixar o cargo, após pressão crescente dentro do Partido Liberal Democrata (PLD) para que assumisse a responsabilidade pela derrota nas eleições legislativas de julho.
A emissora pública NHK afirmou que Ishiba tomou a decisão para evitar divisões internas. Segundo a imprensa japonesa, ele foi pressionado na noite de sábado por líderes partidários, incluindo o ministro da Fazenda e um ex-primeiro-ministro, a abandonar o posto voluntariamente.
Pressão após derrota eleitoral
O revés eleitoral de julho enfraqueceu o governo, que perdeu a meta de conquistar 50 assentos na câmara alta do Parlamento, alcançando apenas 46. O resultado consolidou a perda da maioria tanto na Câmara Alta quanto na Câmara Baixa, deixando o PLD e o aliado Komeito em posição minoritária.
Quatro dirigentes do PLD, entre eles o secretário-geral Hiroshi Moriyama, já haviam renunciado na semana passada em protesto contra a condução de Ishiba.
Parlamentares e autoridades regionais se preparam para apresentar nesta segunda-feira, 8, um pedido formal por nova eleição interna, que poderá ocorrer se houver apoio suficiente.
Crise política e econômica no Japão
O Japão enfrenta inflação acima de 2% há três anos e uma escassez de arroz, considerada reflexo de políticas que limitam a produção do grão.
A tentativa do premiê de aliviar o custo de vida, prometendo um repasse de 20 mil ienes (cerca de 735 reais) a cada residente, não foi suficiente para conter a baixa popularidade.
O resultado eleitoral também expôs uma divisão geracional na política japonesa. Partidos de oposição liberais defenderam cortes de impostos, mas os maiores ganhos vieram de novas legendas populistas de direita, que atraíram jovens eleitores com discursos nacionalistas.
Tarifas de Trump
No plano externo, o governo de Ishiba enfrentou negociações difíceis com os Estados Unidos após a reeleição do presidente Donald Trump.
O acordo comercial firmado entre os dois países estabeleceu tarifas de 15% sobre exportações japonesas e incluiu a promessa de Tóquio de investir US$ 550 bilhões na economia americana.
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