Coreia do Sul cria força-tarefa após prisão de 475 cidadãos em fábrica nos EUA
O complexo industrial de Hyundai e LG Energy Solution é considerado o maior projeto de desenvolvimento econômico do estado da Geórgia
O governo da Coreia do Sul realizou uma reunião de emergência neste sábado, 6, após a detenção de 475 cidadãos sul-coreanos em uma operação contra imigração ilegal realizada pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em uma fábrica da Hyundai na Geórgia, nos Estados Unidos.
Seul criou uma Força-Tarefa de Proteção a Coreanos no Exterior. O ministro das Relações Exteriores, Cho Hyun, afirmou que poderá viajar a Washington, se necessário, para tratar do caso diretamente com as autoridades americanas.
A operação ocorreu na última quinta-feira, 4, e envolveu centenas de agentes federais. Segundo o ICE, foi a maior ação de fiscalização em um único local na história de duas décadas do Departamento de Segurança Interna, com a detenção de trabalhadores que, segundo o órgão, atuavam ilegalmente na instalação de baterias, parte do complexo industrial onde a Hyundai produz veículos elétricos.
Um vídeo divulgado pelo ICE mostra trabalhadores algemados, alguns usando coletes com os nomes “Hyundai” e “LG CNS”, sendo conduzidos para ônibus. A operação contou com veículos blindados e helicópteros.
O presidente Donald Trump defendeu a ação, dizendo que “eram imigrantes ilegais e o ICE estava apenas fazendo seu trabalho”. O órgão americano afirmou que pessoas com visto de curta duração ou isenção de visto não estão autorizadas a trabalhar nos EUA.
O complexo industrial de Hyundai e LG Energy Solution emprega cerca de 1.200 pessoas. O local é considerado o maior projeto de desenvolvimento econômico do estado da Geórgia. A operação concentrou-se em uma fábrica adjacente ainda em construção, dedicada à produção de baterias para veículos elétricos.
O governo sul-coreano manifestou “preocupação e pesar” com a situação e afirmou que os direitos de seus cidadãos e a operação de empresas com investimentos coreanos não devem ser infringidos injustamente. Apenas 46 coreanos foram deportados nos últimos 12 meses, entre mais de 270 mil remoções de todas as nacionalidades.
Alguns trabalhadores detidos haviam entrado legalmente nos EUA, mas com vistos expirados ou sob programa de isenção que proíbe trabalho. Outros teriam cruzado a fronteira ilegalmente. Entre os detidos, havia funcionários diretamente da fábrica de baterias e trabalhadores de contratantes e subcontratantes.
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