Rodolfo Borges na Crusoé: O monge e o treinador
Após 17 demissões de técnicos na Série A do Brasileirão em apenas um turno, talvez seja o caso de buscar um refúgio espiritual
Publicado em 1998, o Monge e o Executivo (Sextante) se estabeleceu como um clássico da autoajuda empresarial.
O livro de James C. Hunter, que na verdade se chama The Servant: A Simple Story About the True Essence of Leadership, conta a história de John Daily, um executivo bem-sucedido para quem tudo começa a dar errado, na empresa e em casa.
Para solucionar os problemas, ele é aconselhado a frequentar um retiro de uma semana em um mosteiro.
A história é toda meio cafona — o monge do título em português é Leonard Hoffman, um ex-executivo de sucesso, ídolo de Daily, que, renomeado Frei Simeon, ministra cursos de liderança usando Jesus como referência —, mas talvez fosse o caso de os treinadores de futebol do Brasil buscarem algum tipo de refúgio parecido.
O último a cair foi o português Renato Paiva (foto), que aguentou apenas 10 jogos no Fortaleza, um clube que tinha se tornado exemplo de gestão e convicção, por sustentar em seu comando o argentino Juan Pablo Vojvoda por quatros anos, um número incrível para o futebol brasileiro atual.
Nesta temporada, já foram 17 demissões em clubes da Série A, que tem 20 clubes.
E isso não é uma exclusividade do futebol brasileiro. O holandês Erik ten Hag, cujo prestígio conquistado no Ajax já tinha sido moído pela má fase do Manchester United, foi demitido nesta semana do Bayer Leverkusen após apenas três jogos.
“Existem apenas dois tipos de treinador: os demitidos e os que estão para ser demitidos”, resumiu o treinador Andrew “Bum” Phillips, do finado time de futebol americano Houston Oilers, citado no clássico de Hunter.
Ciranda
Fábio Carille, que foi demitido do Vasco e substituiu Thiago Carpini no Vitória, treinou o clube baiano por apenas nove jogos, deixando o clube após a goleada humilhante de 8 a 0 para o Flamengo.
Já Carpini voltou para o Juventude, aqui também está em seu terceiro treinador no ano, após as quedas de Fábio Matias e Cláudio Tencati.
Cléber Xavier, que assumiu…
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