Márcio Coimbra na Crusoé: Cooperação contra a ordem global e democrática
Na trinca de Putin, Xi Jinping e Modi, interesses democráticos e direitos humanos se tornam subalternos
A Organização para Cooperação de Xangai (OCS) representa hoje uma articulação geopolítica com forte viés contra a influência ocidental.
Fundada no início do século 21 como uma aliança focada inicialmente em segurança regional, a OCS evolui para um mecanismo de cooperação multifacetada, envolvendo economia, tecnologia, energia e segurança.
A organização expande sua influência para além da Ásia Central, formando um bloco que desafia diretamente a hegemonia americana e suas alianças.
A liderança da China, sob Xi Jinping, e da Rússia, sob Vladimir Putin, tem sido decisiva para que a organização se configure como um contraponto global que promove a ideia de uma “nova ordem mundial“, centrada em governos autoritários e autocráticos, mas que se apresenta sob um verniz de multilateralismo alternativo.
Na cúpula de 2025, realizada em Tianjin, a OCS aprovou uma estratégia decenal até 2035, que visa consolidar uma nova arquitetura global sob o lema da soberania nacional, respeito ao direito internacional conforme interpretado pelos seus membros, e uma oposição explícita ao que rotulam de “hegemonismo” ocidental.
Xi Jinping defendeu um modelo que prioriza o Sul Global, impulsionando investimentos em energia renovável, tecnologia digital e bancos de desenvolvimento próprios, como forma de reduzir a dependência das instituições financeiras ocidentais.
Contudo, essa busca por autonomia não reflete a construção de um sistema internacional mais justo, mas sim a tentativa de impor um modelo em que o controle autoritário prevalece, suprimindo liberdades e direitos individuais, ao contrário dos valores democráticos defendidos pelo Ocidente.
Narendra Modi
A presença da Índia nesse bloco, e sua aproximação estratégica com a Rússia, acende um sinal de alerta.
Tradicionalmente alinhada a um sistema internacional baseado em regras multilaterais que valorizam a democracia e o Estado de Direito, a Índia tem, sob Narendra Modi, adotado uma postura mais pragmática e arriscada.
O país vem buscando fortalecer seus laços comerciais e políticos com Moscou, em plena guerra da Ucrânia, e simultaneamente estreitando vínculos com Pequim.
Essa trinca sugere uma redefinição de alianças que, em última análise, pode cristalizar um eixo autoritário de poder em que interesses democráticos e direitos humanos se tornam subalternos.
Tal postura indiana pode…
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