Trama golpista: PGR pede condenação do “núcleo 4”
Réus são acusados de espalhar desinformação contra urnas eletrônicas e instituições
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu na quarta-feira, 3, a condenação dos sete réus do chamado “núcleo 4” da trama golpista.
Integram o grupo: Ailton Gonçalves Barros, Ângelo Martins Denicoli, Carlos César Moretzsohn Rocha, Giancarlo Gomes Rodrigues, Marcelo Bormevet, Guilherme Marques Almeida e Reginaldo Vieira de Abreu.
O “núcleo 4” é acusado de espalhar desinformação contra urnas eletrônicas e instituições, além de promover ataques virtuais contra militares que não aderissem ao plano de golpe.
Os réus respondem criminalmente por organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo o Ministério Público Federal, os acusados agiram “em coordenação com o núcleo central da organização criminosa, concentrando a produção e disseminação de notícias falsas contra os mesmos alvos apontados publicamente”.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a denúncia é baseada na documentação produzida pelo próprio grupo, não em conjecturas.
“Não há como negar fatos praticados publicamente, planos apreendidos, diálogos documentados e bens públicos deteriorados”, disse.
Nas alegações finais, Gonet apontou o uso da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para produzir e disseminar notícias falsas sobre o processo eleitoral e ministros do STF.
“À míngua de irregularidade real que pudesse abalar a estabilidade social, o uso indevido da estrutura do Estado foi essencial para a manipulação e distorção de informações sensíveis contra o sistema eletrônico de votação e as autoridades em exercício nos poderes estabelecidos”, disse.
O “núcleo 4”
Segundo a PGR, o ex-major do Exército Ailton Barros seguia “orientações diretas” de Walter Braga Netto na coordenação de “campanhas ofensivas contra os Comandantes resistentes ao Golpe, rotulando-os como ‘traidores da pátria’ e alinhados ao comunismo”.
“Os ataques orquestrados foram além da propagação de frases e imagens depreciativas na seara virtual e culminaram em incursões na porta da residência dos Comandantes, funcionando como severos mecanismos de pressão em prol da ruptura institucional”, acrescentou.
Já major Ângelo Martins Denicoli é acusado de produzir “materiais falaciosos sobre o sistema eletrônico de votação, a fim de propiciar o crescimento do sentimento de desconfiança da população e favorecer a ruptura institucional”.
Como presidente do Instituto Voto Legal, Carlos César Moretzsohn Rocha “encampou argumentos fabricados pela própria organização criminosa, a fim dedar roupagem técnica a teses infundadas de fraude eleitoral”, embora soubesse que não havia embasamento técnico para o pleito.
Acusado de integrar a “contrainteligência” da trama golpista, o subtenente Giancarlo Gomes foi implicado no aparelhamento da Agência Brasileira de Inteligência.
‘A mando’ de seu superior na Abin, o policial federal Marcelo Bormevet, Giancarlo Gomes também teria feito pesquisas sobre placas de carros de Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente.
“Marcelo Bormevet e Giancarlo Gomes seguiram acompanhando de perto e torcendo pelo êxito das ações da organização criminosa, cientes das movimentações em prol da decretação de medidas de exceção”, afirmou a PGR.
O tenente-coronel Guilherme Marques Almeida teria divulgado conteúdo falacioso do ativista Fernando Cerimedo sobre urnas eletrônicas, enquanto o coronel do Exército Reginaldo Vieira de Abreu é acusado de ter sugerido a um interlocutor que Bolsonaro se reunisse com militares para discutir medidas de exceção.
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