Advogado nega ausência deliberada de Torres no 8/1 e cobra “isenção” do STF
Defesa afirma que o ex-secretário atuou para desmobilizar acampamentos montados em frente a quartéis
O advogado Eumar Roberto Novacki, que representa o ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (DF), Anderson Torres, negou nesta terça-feira, 2, que seu cliente tenha se ausentado de Brasília “deliberadamente” no 8 de janeiro de 2023.
“Toda narrativa do MPF em relação a Anderson Torres parte da premissa que ele teria conspirado, teria participado de uma macabra trama golpista e deliberadamente se ausentado do DF (no 8 de janeiro), mas isso não é a verdade”, disse aos ministros da Primeira Turma, durante o julgamento.
Novacki contestou o apontamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que a viagem de Torres aos Estados Unidos não estava marcada com antecedência. O ex-secretário alega que estava de férias no exterior e já havia adquirido as passagens.
“A mais grave alegação trata-se da viagem de Torres para os Estados Unidos. Estranhamente o MP, nas suas alegações finais, traz na página 368 que Anderson Torres forjou provas no processo, o bilhete da passagem área da viagem para os EUA com sua família. É uma acusação gravíssima”, disse.
A defesa também apresentou slides de conversas entre Anderson Torres e secretários do governo, em que o réu por tentativa de golpe teria convocado a desmobilização dos acampamentos montados em frente a quartéis do Exército.
“Anderson Torres assume no dia 2. Ele não desmonta a secretaria. Ele leva para lá apenas dois assessores, tá. No dia 5… é… de janeiro, tem algo que chamou muita atenção. Eu vou colocar aqui no slide. Anderson Torres convoca o general Dutra, que é o general comandante do Palácio, aliás, convida, e convoca a secretária Marra, que era secretária de Habitação Social, para desmobilizar os acampamentos em frente aos quartéis.
A PGR, ministro Zanin, insiste desde o início da investigação, da instrução, que os acampamentos eram o coração do golpe. Ora, Anderson Torres como autoridade, como secretário de Segurança, ele convoca uma reunião para a desmobilização dos acampamentos. Isso é incompatível com quem está tramando um golpe de Estado. As provas são favoráveis a Anderson.”
Em sua sustentação, Novacki cobrou isenção do STF no julgamento e pediu a absolvição de Torres.
“A isenção é o que se espera dessa Corte, que eu sempre defenderei. Não há democracia sem instituições fortes e independentes”, afirmou.
Julgamento no STF
Torres é um dos oito réus do ‘núcleo 1″ da trama golpista, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ex-militares e outros ex-ministros.E
Ele é réu por por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
A soma das penas pode chegar a 43 anos de prisão.
O primeiro dia de sessão terminou às 18h desta terça, 2, e será retomado na quarta, 3.
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