Advogado de Mauro Cid nega que cliente tenha sido coagido
Segundo Jair Alves Pereira, o tenente-coronel apenas reclamou da linha investigativa da PF
O advogado Jair Alves Pereira (foto), que representa o tenente-coronel Mauro Cid, negou nesta terça-feira, 2, que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro tenha sido coagido ao fazer delação premiada.
“Foi batido muito no processo, e certamente será alvo das próximas sustentações orais, que o Mauro Cid foi coagido. Ele teria sido coagido inicialmente pela Polícia Federal, e depois pelo eminente relator, ministro Alexandre de Moraes.
E acho que isso precisa ficar muito claro.”
O advogado citou uma entrevista do tenente-coronel à Revista Veja, na qual ele disse:
“Eles tinham a tese investigativa, e eu tinha a minha versão.
Muitas vezes a minha versão contradizia os argumentos que eles tinham no inquérito. Eu falava: ‘não, não, a minha versão não é essa. Isso aqui eu não vi’.
Eu tinha outra linha argumentativa, e eles estavam investigando. Eu estava trazendo a minha versão dos fatos, que era outra.”
Para a defesa, a entrevista de Cid não indica coação.
“Isso aqui não é coação. Mauro Cid está reclamando da posição do delegado. Isso é direito.
Cumpre fazermos uma pergunta aqui: qual é a versão que constou nos autos? Foi a versão do Mauro Cid ou é a versão do delegado?”
O advogado disse que a equipe do delegado Fábio Shor, que comandou os depoimentos de Mauro Cid, “foi extremamente ética e profissional”.
“Eles nunca falaram com Mauro Cid sem a presença da defesa.”
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O julgamento
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na ação penal que apura a suposta tentativa de golpe de Estado ocorrida no Brasil entre 2022 e 2023.
Bolsonaro foi incluído no chamado ‘núcleo 1’ da trama golpista, ou “núcleo crucial”. Além dele, outras sete pessoas serão julgadas: o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ); o almirante e ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno; o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência da República Mauro Cid; o general e ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira; e o general da reserva e ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto.
O ex-presidente e os demais réus serão julgados por cinco crimes: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima; e deterioração de patrimônio tombado.
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