“Bolsonaro tornou pública recusa em aceitar alternância democrática”
Para Paulo Gonet, a finalidade era "incitar a militância contra os poderes" e "dispor a população para rechaçar a derrota”
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta terça-feira, 2, ao defender na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a condenação de Jair Bolsonaro, que o ex-presidente tornou pública “sua recusa em aceitar uma alternância democrática de poder” durante a celebração de 7 de setembro de 2021.
“As palavras proferidas no dia da celebração nacional da Independência não podem ser confundidas com um arroubo isolado, mas expunham o projeto autoritário.
O presidente incitava desabridamente a animosidade contra o Poder Judiciário e os seus integrantes.
A escalada verbal foi acompanhada por manifestações organizadas, em que apareciam faixas com pedido de intervenção militar.
Foi nesse contexto que o presidente Jair Bolsonaro tornou pública, no dia da Pátria, a sua recusa em aceitar uma alternância democrática de poder, em frases como: ‘Não poderia participar de uma farsa como essa patrocinada pelo TSE.’
E esta outra: Só saio preso, morto ou com vitória. Quero dizer aos canalhas que nunca serei preso.’
Em todas essas ocasiões se levantaram críticas ao sistema de votação baseadas em premissas viciadas, em desnaturação de fatos. Enfim, em suspeitas vazias, sempre desfeitas pela Justiça Eleitoral, de modo nunca contestado na sua exatidão técnica.
A finalidade era inequívoca: fomentar desconfiança generalizada no processo eleitoral, incitar a militância contra os poderes constituídos e dispor a população para rechaçar a derrota nas urnas.
A apropriação das estruturas, datas cívicas e símbolos estatais em favor dessa narrativa indicam a gravidade do desvio de finalidade.”
Em 28 de agosto de 2021, durante o 1º Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos de Goiás, em Goiânia, Bolsonaro disse: “Eu tenho 3 alternativas […]: estar preso, ser morto ou a vitória. […] A primeira […] não existe!”.
Em 7 de setembro de 2021, durante manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, ele afirmou: “Só Deus me tira de lá! (…) Nós temos 3 alternativas. (…) Preso, morto ou com vitória. Dizer aos canalhas que eu nunca serei preso!”
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Comentários (1)
Ita
03.09.2025 18:34É, e precisa de mais...