“Procuradores antimáfia estão preocupados com o avanço do PCC na Europa”
Para o promotor Lincoln Gakiya, a presença da facção criminosa de São Paulo no outro lado do Atlântico preocupa mais os europeus do que o governo brasileiro
O promotor Lincoln Gakiya (foto), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, afirmou na segunda-feira, 1º de setembro, que procuradores antimáfia estão “extremamente preocupados” com o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Europa.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o promotor disse que a presença da facção criminosa de São Paulo no outro lado do oceano Atlântico preocupa mais os europeus do que o governo brasileiro.
“Há poucos meses, Portugal aprendeu um submergível com 6 toneladas de cocaína, que seria destinada à Europa, em que tinha dois peruanos, dois brasileiros e dois portugueses. Então isso mostra como essa organização ela tem um poder de associação com outras organizações e máfias. A presença do PCC hoje na Europa não preocupa a mim, preocupa aos europeus.
Eu estou sendo demandado quase que semanalmente pelos portugueses, pelos italianos, por alemães, por policiais do Reino Unido, dos Países Baixos. Eu estive cinco vezes na Itália nos últimos dois anos, sempre em troca de informações com os procuradores antimáfia, que estão extremamente preocupados com o avanço do PCC na Europa.
Aliás, acho que eles têm mais preocupação do que o governo brasileiro como um todo.”
‘O PCC está onde precisa estar’
Segundo Gakiya, o PCC ‘está onde precisa estar’.
“O PCC não quer ser a maior organização criminosa do Brasil. Eu costumo dizer que ele está onde ele precisa estar. Nas fronteiras que ele acha que é mais favorável para a dinâmica do seu negócio que é o tráfico internacional.”
O promotor afirmou que preocupa o fato de o PCC estar em quase toda a América do Sul, associando-se a cartéis colombianos e mexicanos.
“O que preocupa hoje: primeiro, o fato de o PCC estar presente em quase toda a América do Sul. O fato de o PCC estar presente na Colômbia e no México também me assusta, porque eles não estão lá em guerra com os cartéis colombianos e com os cartéis mexicanos. Pelo contrário, estão associados. Já houve comprovação da presença de integrantes de cartéis mexicanos aqui em São Paulo na região portuária de Santos.”
PCC está em 28 países
Um relatório do Ministério Público de São Paulo divulgado em junho aponta a presença de integrantes do PCC em pelo menos 28 países.
São mais de 2 mil integrantes apenas no exterior.
Os países com a maior atuação da facção criminosa são: Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai.
Leia também: Portugal é o país com mais criminosos do PCC na Europa, aponta MP
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