Oncologia acelera com IA, realidade virtual e teste de HPV
Hospital de Amor ativa laboratório 3D; Saúde leva DNA-HPV a 12 estados e Rio usa IA que lê mamografias em 20 segundos
O Brasil acelera a adoção de tecnologias digitais e de inteligência artificial contra o câncer com ações simultâneas em atendimento, diagnóstico e formação.
Em Barretos, o Hospital de Amor opera desde junho um laboratório de modelagem, prototipagem e simulação 3D.
Em agosto de 2025, o Ministério da Saúde iniciou a oferta do teste DNA-HPV nacional no SUS.
No Rio, a prefeitura passou a usar inteligência artificial que interpreta mamografias em 20 segundos.
O objetivo comum, segundo as instituições, é reduzir o tempo entre suspeita e tratamento e personalizar o cuidado.
De acordo com a Agência SP, do governo paulista, o Laboratório Multiusuário do Hospital de Amor foi viabilizado com fomento do programa SP Produz e reúne tecnologias de simulação e planejamento cirúrgico integradas a soluções de inteligência artificial.
No mesmo complexo, a equipe implantou jogos de realidade virtual para crianças durante procedimentos, estratégia apresentada como ferramenta de redução de ansiedade e dor.
Em material institucional, a médica Letícia Bachette afirmou que a experiência “diminui a dor que essas crianças já enfrentam pelo diagnóstico de câncer” e relatou a adesão ao projeto “O Chamado do Herói”, desenvolvido com o estúdio Goblin.
No plano nacional, o Ministério da Saúde anunciou em agosto a implantação do DNA-HPV, desenvolvido no país, em 12 estados.
A pasta informou que o exame detecta 14 genótipos do papilomavírus humano antes do aparecimento de lesões e que a meta é alcançar 7 milhões de mulheres até 2026.
A estratégia busca ampliar a detecção precoce do câncer do colo do útero na rede pública, com logística laboratorial e amostragem definidas pelos estados participantes.
Na capital fluminense, a prefeitura informou que o Super Centro Carioca adotou inteligência artificial para apoio ao diagnóstico de câncer de mama.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o sistema entrega avaliação inicial em cerca de 20 segundos por imagem, auxiliando a priorização de casos.
O secretário Daniel Soranz classificou a adoção como “um grande avanço para a saúde pública do Rio”, ao destacar o potencial de agilizar fluxos e reduzir filas.
A inovação também chega por meio de biomarcadores e dispositivos.
O Conselho Federal de Biomedicina registrou o desenvolvimento, por Deborah Zanforlin, do ConquerX, chip de triagem que, em testes, identificou marcadores associados a 18 tipos de câncer a partir de amostra de sangue em 15 minutos.
A entidade atribui o ganho clínico à possibilidade de diagnóstico precoce, o que pode elevar as chances de cura, conforme a literatura citada no comunicado.
Há evidência clínica para intervenções de realidade virtual no manejo de dor pediátrica oncológica. Estudo publicado em 2025 na SciELO reportou redução significativa de dor e ansiedade em crianças, com queda de frequência cardíaca nos grupos analisados.
Em paralelo, a rede hospitalar universitária EBSERH divulgou que o Hospital Universitário Alcides Carneiro atendeu mais de 15 crianças com óculos 3D como adjuvante em quimioterapia, com relatos de melhor tolerância ao cuidado.
No Congresso, o Senado promoveu em abril debate temático sobre avanços e desafios no combate ao câncer, proposto pela senadora Dra. Eudócia.
A sessão tratou de tecnologias emergentes, incluindo vacinas personalizadas com RNA mensageiro, relatadas como em desenvolvimento em países como Rússia, Reino Unido e China, e ouviu especialistas sobre caminhos regulatórios e de incorporação de inovação no SUS.
O ambiente de investimento acompanha o movimento.
Levantamento setorial divulgado pelo portal Saúde Business apontou que as healthtechs na América Latina captaram US$ 253,7 milhões em 2024, alta de 37,6% sobre o ano anterior, com o Brasil concentrando 64,8% das startups investidas.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informou aportes de R$ 124,4 milhões na terceira edição do Programa Centelha, voltado à geração de empreendimentos inovadores.
Persistem, porém, gargalos de implementação. A Associação Médica Brasileira registrou que cinco unidades federativas aprovaram leis para testes genéticos de câncer de mama no SUS, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Amazonas, mas segundo a entidade apenas Goiás efetivamente colocou a política em prática.
Entidades da área reforçam a necessidade de balizas regulatórias para novas ferramentas.
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica afirma que a inteligência artificial já é utilizada no diagnóstico oncológico no país, mas ainda carece de regulação específica, com parâmetros de qualidade, transparência de algoritmos e protocolos de validação clínica.
A agenda de 2025 indica que a incorporação tecnológica avançou. O desafio, dizem os órgãos, é transformar pilotos e anúncios em rotinas sustentáveis na rede.
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