“Taxa de juros deve permanecer em um patamar restritivo”, diz Galípolo
Presidente do BC afirmou que a inflação está convergindo à meta, mas "de uma maneira lenta"
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, voltou a dizer nesta quarta-feira, 27, que a taxa básica de juros, a Selic, deve ficar no patamar de 15% ao ano “por um período prolongado”.
“A gente vem reforçando que essa taxa de juros deve permanecer por um período prolongado num patamar restritivo, justamente porque a gente está num cenário de ter descumprido a meta […] A convergência está se dando de uma maneira lenta para a meta de inflação. E é isso que tem demandado uma política monetária mais restritiva”, afirmou, na abertura do Congresso e Expo Fenabrave, em São Paulo, evento organizado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
Na última reunião, em 30 de julho, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros, a Selic, no patamar de 15% ao ano. Todos os diretores votaram pela manutenção.
A decisão interrompeu o ciclo de alta da taxa. Ela chegou a 15%, o maior patamar em quase 20 anos, em junho.
Última reunião
Em comunicado, o Copom ressaltou que o ambiente externo “está mais adverso e incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos”.
Consequentemente, pontuou o Comitê, “o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”.
Em relação ao cenário interno, o BC afirmou que “o conjunto dos indicadores de atividade econômica tem apresentado, conforme esperado, certa moderação no crescimento, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo“. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação”.
O Copom destacou estar acompanhando os anúncios referentes à imposição pelos Estados Unidos de tarifas aos produtos brasileiros e como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros.
“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
Segundo o Comitê, a decisão de manter a Selic em 15% ao ano “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante“. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.
Em se confirmando o cenário esperado, assinala nota, “o Comitê antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Leia mais: Copom mantém taxa Selic em 15% ao ano
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Comentários (1)
Clayton De Souza pontes
27.08.2025 17:39O governo teve uma ajuda do Trump pra desvalorizar o dólar, mas continua gastando mais do que pode