“Já começamos com pizza pronta no imaginário popular”, diz relator da CPMI do INSS
Alfredo Gaspar (União-AL) promete ser "duro e implacável com todos aqueles que cometeram crime"; CPMI faz segunda reunião
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), admitiu nesta terça-feira, 26, que, no imaginário popular, os trabalhos do colegiado terminarão em “pizza”, mas disse que cabe aos membros da comissão desmistificar esse entendimento e que ele será “duro e implacável” com quem cometeu crime.
A CPMI criada para investigar o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões faz nesta terça sua segunda reunião. Gaspar apresenta o plano de trabalho.
“Essa comissão está muito dividida. Tem uma parte da oposição e uma parte da situação. Se quiserem travar a comissão, quem vai nos fiscalizar é o povo brasileiro, porque o povo não acredita em Comissão Parlamentar de Inquérito. O povo não acredita na classe política, o povo não acredita na nossa boa-fé. Então, nós já começamos com uma pizza pronta no imaginário popular. Isso, os senhores e as senhoras tenham certeza, quem pode desmistificar isso somos nós“, declarou o relator.
“Da minha parte, eu não jogarei a minha história construída com muita luta e o único patrimônio que tenho, a honra, para proteger quem quer que seja. Portanto, serei duro e implacável com todos aqueles que cometeram crime, independente de qual governo tenha participado“.
Ele prosseguiu: “Estou aberto a dialogar com a situação e a oposição, mas em nenhum momento venham me fazer pedido de proteção ou concessão, porque não faz parte da minha história, nem eu irei começar essa nova história hoje, aos 55 anos de idade”.
O relator ressaltou ainda que seu primeiro requerimento na comissão foi para convocar Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT). “Eu fiz o requerimento, mas como relator eu tenho a obrigação de seguir um rito procedimental de investigação. Tudo terá o seu tempo“, acrescentou.
“Foi com base nesse procedimento que eu fiz o relatório de trabalho. Portanto, os senhores não terão no relatório de trabalho uma flecha apontada para quem quer que seja. Esse relatório de trabalho, ele busca tão somente que nós tenhamos liberdade para investigar”.
Segundo Gaspar, em seu relatório, não haverá perseguidos nem protegidos e “há muito ladrão precisando ser trazido a público para mostrar coberturas, jatinhos, lanchas, offshores. Não depende de ideologia política. Muita gente se aproveita”.
O relator afirmou ainda que não há ninguém imparcial na comissão, no âmbito político. “O que vamos medir é se nossas preferências políticas, se nossas divergência ideológicas irão atrapalhar no que interessa: a busca da verdade diante dos fatos e documentos”.
Ele destacou que declinou de um convite do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para visitá-lo, para “manter a imparcialidade dos trabalhos“.
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