Ditadura de Ortega notifica família sobre morte de opositor desaparecido
Mauricio Alonso Petri foi levado por policiais durante operação política; Família ficou 38 dias sem notícias
Autoridades do regime sandinista notificaram nesta segunda, 25, a família sobre a morte do líder opositor nicaraguense Mauricio Alonso Petri, após 38 dias desaparecido.
Petri, de 64 anos, foi sequestrado junto com a esposa em 18 de julho, poucas horas antes do regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo comemorar o aniversário da revolução sandinista.
A ação ocorreu durante uma operação policial em Jinotepe, no departamento de Carazo.
Na ocasião, dezenas de opositores foram presos em ações coordenadas nas cidades de Carazo, Masaya, Granada e Rivas.
Segundo as principais organizações de direitos humanos, pelo menos 28 pessoas foram vítimas de desaparecimento à força. A esposa de Petri foi liberada, mas ele e o filho permaneceram em posse da ditadura.
Os familiares passaram mais de um mês visitando prisões, delegacias e hospitais em busca do paradeiro. No entanto, nenhuma autoridade admitiu oficialmente a prisão.
Reação
Em nota, o Instituto Segovia, em exílio político, classificou a morte como um crime contra a humanidade: “O regime entregou morto o opositor sequestrado e preso político Mauricio Petri.”
Petri sofria de problemas cardíacos e estava aposentado da vida política.
A versão dada pelas autoridades à família é que Petri “sentiu-se mal” e foi levado ao Instituto Médico Legal, onde supostamente morreu. No entanto, não houve transferência para um hospital nem atendimento médico documentado.
Organizações de direitos humanos afirmam que os detidos nas operações de julho foram levados para celas clandestinas no Distrito Três de Manágua.
“Defensor da liberdade religiosa”
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo Trump lamentou a morte de Petri, tratado como um “defensor nicaraguense da liberdade religiosa”.
“Horrorizadas com a desumanidade da ditadura de Murillo-Ortega, as autoridades devolveram hoje à sua família o corpo sem vida de Mauricio Alonso, um defensor nicaraguense da liberdade religiosa. A ditadura deteve injustamente Alonso e o manteve incomunicável por um mês, até sua morte. Esta tragédia aconteceu sob a tutela de Murillo-Ortega. Os Estados Unidos não tolerarão tal crueldade nem esquecerão este crime”, escreveu no X.
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