Os promotores do lobismo
Entenda a essência de um negócio onde todos ganham, menos o país
O atrito entre “empresários” que disputam o mercado de lobby com autoridades públicas é sintoma da República do Escambo, um país onde prevalece o capitalismo de compadrio.
Esse tipo de “empresário” – que passo a chamar de promotor do lobismo – promove, tanto em território nacional quanto no exterior, eventos ou fóruns de fachada, com painéis e palestras sobre os “desafios” do presente e do futuro, para que membros da elite empresarial tenham acesso a integrantes das cúpulas da República e negociem interesses comuns entre eles.
As aprovações de isenções fiscais e de leis vantajosas para seus setores e negócios, bem como a obtenção de pareceres, votos e decisões favoráveis em processos que tramitam no sistema de Justiça, estão sempre no radar de executivos presentes.
Alguns promotores do lobismo são não apenas fundadores dos grupos que dizem fazer a ponte entre os setores público e privado, mas são, também, donos, acionistas ou membros do Conselho de emissoras de TV e rádio, entre outros canais que dizem fazer jornalismo.
Assim, os promotores do lobismo disputam as verbas de publicidade dos governos amigos, que anunciam nos veículos de comunicação em troca de cobertura positiva e de espaço para seus integrantes; e as verbas comerciais dos empresários amigos, seja para anúncios nesses canais, seja para patrocínio dos eventos.
Às autoridades do Legislativo e do Judiciário, os promotores do lobismo concedem espaço na programação e cobertura positiva, impedindo jornalistas de exibirem informações inconvenientes a elas, ou mesmo encerrando seus contratos, quando já as publicaram.
Com frequência, essas autoridades são também fundadoras de institutos – administrados por familiares – que acabam recebendo doações e patrocínios dos mesmos empresários frequentadores dos eventos de lobby, contratantes dos serviços de advocacia de seus familiares e/ou beneficiados por suas decisões oficiais. Isto sem falar em eventuais passagens, estadias e cachês, pagos diretamente por patrocinadores.
Em caso mais emblemático, a autoridade é, ao mesmo tempo, dona da caneta mais poderosa do país, fundadora de instituto e promotora de seu próprio evento de lobby no exterior, regado a coquetéis e demais recepções providenciais.
Pode acontecer, também, de um notório promotor de lobismo levar para seu grupo de lobby o dinheiro dos potenciais anunciantes do veículo em que atua como executivo, enfurecendo outros acionistas desse veículo e gerando bafafá no mercado da comunicação, notadamente menos lucrativo. Mas nem esses atritos tendem a mudar a natureza de cada um.
Um dos maiores desafios do presente e do futuro de qualquer República do Escambo é, na verdade, estimular virtudes humanas, como a recusa das vantagens pessoais do compadrio, em prol do interesse público. Esse tema não costuma ser debatido em fóruns de fachada, porque vai contra sua própria natureza.
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Comentários (6)
ISABELLE ALÉSSIO
02.09.2025 15:07Parabéns pelo excelente trabalho e coragem de sempre , Felipe Moura ! 🏆👏🏻🤗
ISABELLE ALÉSSIO
02.09.2025 15:06Que vergonha !
Um_velho_na_janela
27.08.2025 11:35O sistema de governo atual, criminoso e espoliador do povo, conforme escancarado por um jornalista como os de antigamente, teria semelhança nos sus efeitos deletérios com os do absolutismo de Luís XVI e sua solução seria a implementada por Robespierre, Danton e Marat?
Artur Scudeler Neto
25.08.2025 14:01...e foi sempre assim...
Eliane ☆
24.08.2025 20:01Simplesmente perderam a vergonha. Como se fosse normal, esse "interesse de compadrio".Empresários,praticamente confraternizando com ministros do STF. Lobistas com interesses questionáveis,transitando livremente em Brasília É uma 'República do escambo ',o nosso país.
GERALDO CARVALHO
24.08.2025 17:19Gilmar é um gangster que usa a caneta para enriquecer.