Após atentados, presidente da Colômbia reage a grupos terroristas
Governo Petro intensifica ofensiva em meio a série de explosões e emboscadas ligadas ao narcotráfico
Depois de uma bomba explodir nesta sexta-feira, 22, no centro da cidade de Florencia, a poucos metros da prefeitura, o governo colombiano de Gustavo Petro anunciou que irar declarar três dissidências das FARC e do Clã do Golfo como organizações terroristas. A medida é uma resposta direta à onda de violência no país, que, só no dia de ontem, 21, resultou na morte de 19 pessoas e deixou dezenas de feridos.
Os ataques, ocorridos em cidades como Florencia, Cali e Amalfi, são vistos como retaliação de grupos criminosos ao avanço das forças militares no Cânion do Micay. A região, considerada “vital” para o escoamento de cocaína rumo ao Oceano Pacífico, tem sido alvo de operações que visam retomar o controle estatal.
Intensificação dos confrontos e a reação estatal
Os atentados sinalizam uma mudança no padrão dos conflitos internos da Colômbia. Anteriormente restritas a localidades afastadas, como a região de Catatumbo, que gerou o deslocamento de 56 mil habitantes, as hostilidades agora alcançam centros urbanos maiores, distantes do controle usual de grupos armados.
Um dos incidentes de maior gravidade foi a detonação de um veículo com explosivos em Cali, provocando a morte de seis civis e ferindo mais de setenta pessoas. Em Amalfi, um helicóptero policial foi abatido por um drone carregado de explosivos enquanto transportava militares para ações de erradicação de plantações ilegais.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez Suárez, confirmou que os atentados caracterizam uma reação à mobilização militar no Cânion do Micay. Segundo Suárez, mais de 70% deste território já está sob domínio estatal, forçando os criminosos a atacar a população civil por falta de outras opções.
Em resposta, o governo federal intensificou as ações ofensivas em áreas dominadas por facções, que totalizam mais de 22 mil indivíduos no país.
O presidente Petro reiterou que o Estado-Maior Central, a Segunda Marquetalia e o Clã do Golfo serão tratados como organizações terroristas, permitindo sua perseguição global.
Conflito histórico e o impasse da “paz total”
Os colombianos veem com apreensão o que pode ser um novo período violento da história colombiana, que remete aos atentados do narcotraficante Pablo Escobar, nos anos 1990, e aos cercos promovidos pelas FARC a cidades nos anos 2000.
O Acordo de Paz de 2016, que propôs a desmobilização da guerrilha, resultou em uma diminuição significativa dos ataques em centros urbanos. Mas parte dos antigos guerrilheiros nunca aderiu ao pacto, gerando a formação de grupos dissidentes que intensificaram atividades como mineração ilegal, contrabando de pessoas e extorsão, além do tráfico de cocaína.
A ascensão de Gustavo Petro ao poder em 2022, com a promessa de uma improvável “paz total”, alimentou expectativas de um novo acordo. Contudo, a ausência de um consenso com o Estado-Maior Central impediu o avanço das negociações.
Candidato Miguel Uribe morre após sofrer atentados
Em 7 de junho, um menor de idade se aproximou de um ato de campanha de Miguel Uribe e disparou vários tiros. Dois acertaram a cabeça da vítima e outro, a perna.
Ele ficou internado no Hospital Fundação Santa Fé por dois meses, onde passou por várias cirurgias, mas morreu em 11 de agosto.
Apontado como autor dos disparos, um adolescente de 15 anos foi indiciado por tentativa de homicídio e porte ilegal de armas.
Leia também: Crusoé: Pai herda pré-candidatura de Miguel Uribe, assassinado na Colômbia
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Comentários (1)
Marian
22.08.2025 19:14Só as dissidências? Não deveriam ser todos?