Crusoé: O perigo de depender da China
Ditadura asiática não hesitaria em rifar o Brasil para fazer bons negócios com os Estados Unidos
Diante do clima azedo entre Brasil e EUA, o governo da China enviou uma mensagem de solidariedade ao governo Lula.
“[A China] apoia resolutamente o Brasil na defesa de sua soberania estatal e dignidade nacional, e se opõe à interferência infundada de forças externas nos assuntos internos do Brasil“, afirmou a ditadura chinesa.
Em Brasília, o governo Lula comemorou a mensagem e a usou para dizer que está com a razão nos embates com o presidente americano Donald Trump.
É um jogo arriscado. Declarações diplomáticas, na maioria das vezes, têm efeito nulo.
Na prática, o Brasil não pode contar com os chineses para peitar Trump.
O ditador Xi Jinping não vai unir forças com Lula para criticar as tarifas americanas e o poder econômico dos Estados Unidos.
A China persegue seus próprios objetivos, tanto que segue negociando com o time do governo americano.
Foi assim que os enviados do Partido Comunista Chinês conseguiram mais 90 dias de adiamento das tarifas americanas contra produtos chineses.
“A China pensa sempre nela em primeiro lugar. O país não está interessado em escolher quem é vilão ou quem é bonzinho no cenário internacional, tampouco pretende converter os outros à sua própria ideologia. O que a China sempre quis é fazer bons negócios com o resto do mundo”, diz o economista Roberto Dumas Damas, autor do livro China X EUA.
Negócios
A China tem um volume de comércio maior com os Estados Unidos do que com o Brasil.
Basicamente, a China dependente de commodities brasileiros como soja, minério de ferro, petróleo bruto e carne. O volume de comércio com o Brasil chega a 158,33 bilhões.
Mas, nesse jogo de forças, os EUA são ainda mais relevantes. Em 2024, China e Estados Unidos movimentaram 658,9 bilhões de dólares.
Os Estados Unidos fornecem produtos agrícolas para a China. Mas, além disso, o mercado americano absorve produtos e serviços chineses em grande quantidade.
Se o país asiático, em algum momento, for pressionado a escolher entre comprar mais soja americana ou mais soja brasileira, não será o histórico do Brics ou a quimera do Sul Global que pesará na escolha.
Geopolítica
Há também o nada desprezível fator geopolítico.
A China precisa tomar cuidado com os Estados Unidos, porque tem ambição de um dia conquistar a ilha de Taiwan, que Pequim considera…
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Comentários (1)
Ita
22.08.2025 17:15Só, e só os petralhas acreditam que a China pode assumir alguma posição arriscada ajudar o *ula.