SP: Curso de pintura oferece emprego a pessoas em situação de rua
Convênio garante carteira assinada e piso salarial para alunos
Um curso de pintura para construção civil está qualificando moradores de abrigos e de outros serviços de assistência social da prefeitura de São Paulo.
As aulas acontecem no Núcleo de Convivência para Adultos em Situação de Rua Rodrigo Silva, no bairro da Liberdade, onde 17 pessoas participam de atividades teóricas e práticas.
O treinamento é resultado de um convênio entre a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Sindicato Empresarial do Comércio Atacadista de Material de Construção (Sincomaco) e a prefeitura, com apoio de uma fabricante de tintas que fornece os equipamentos de proteção.
A iniciativa teve início no ano passado, quando foram oferecidas duas turmas. De acordo com o presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordine, a procura superou as expectativas.
Construtoras contrataram todos os formandos com carteira assinada como auxiliares de pintura, com salário inicial de cerca de R$ 2.600. Ele afirmou que o objetivo inicial era estimular o microempreendedorismo, mas a demanda das empresas mostrou que havia carência de mão de obra qualificada.
No primeiro semestre deste ano o curso não ocorreu por entraves administrativos nos convênios, mas a previsão agora é de ao menos uma turma por mês, com possibilidade de criação de um turno matutino caso a procura aumente.
A formação tem carga de quatro semanas, sendo uma de aulas teóricas e três de prática. Além da pintura, a ACSP e o sindicato avaliam a criação de cursos em outras áreas da construção civil, como hidráulica e elétrica.
Nas edições anteriores, os participantes atuaram na recuperação de prédios públicos ligados à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, como a Morada São João, na República, e o Núcleo de Convivência Prates, no Bom Retiro.
Dois dos alunos já foram promovidos a pintores e dobraram o salário, segundo a ACSP.
Entre os atuais alunos está Eliane Assunpção Fermiano, 45, moradora de abrigo temporário.
Ex-diarista, ela vê na qualificação uma chance de recomeçar após três anos em situação de rua. Outro participante, Claus de Oliveira Vieira, 50, que já trabalhou na construção civil, mora no Centro Temporário de Acolhimento Prates e atua em praças públicas pelo Programa Operação Trabalho.
Ele considera o curso uma oportunidade para voltar ao mercado formal e ampliar sua capacitação em áreas como elétrica e instalação de azulejos.
O convênio entre a ACSP, o Sincomaco e a prefeitura tem validade inicial de um ano.
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