SBT celebra 44 anos precisando reagir
Ao completar seus 44 anos, o SBT celebra sua história e, ao mesmo tempo, enfrenta a necessidade de se reinventar
Nesta semana, no dia 19 de agosto, o SBT celebrou seus 44 anos de existência, data marcada por comemorações nostálgicas, mas também por resultados preocupantes na audiência.
Nos acertos recentes, a emissora trouxe de volta um de seus slogans mais famosos, o “Quem procura, acha aqui”, em versão repaginada, reativando o vínculo emocional com seu público histórico.
Outra aposta importante foi o anúncio da nova temporada do The Voice Brasil em parceria com a Disney, terá técnicos como Péricles, Mumuzinho, Duda Beat e Matheus & Kauan, e terá Tiago Leifert na apresentação, com direção de Boninho, repetindo a parceria dos tempos da Globo.
O reality estreia em outubro, em parceria com o Disney+, e já vendeu oito cotas de patrocínio antes mesmo do início das gravações, um feito raro na TV aberta em 2025.
Só que o aniversário foi manchado por recordes negativos: programas como Bom Dia & Cia e A Caverna Encantada registraram seus piores desempenhos históricos em audiência na Grande São Paulo.
A reprise de Maria do Bairro, a exibição do jogo da Champions League e do Aqui Agora também ficaram devendo.
Erros estratégicos
Segundo o colunista Sandro Nascimento, o canal vem cometendo falhas estratégicas que prejudicam sua busca pelo segundo lugar na audiência, perdida para a Record desde dezembro de 2020.
Entre os principais erros apontados, estaria a falta de reforços de nomes de prestígio na programação, fator importante tanto para atrair audiência como patrocinadores.
De fato, hoje os medalhões da emissora são poucos, como Celso Portiolli, Ratinho, Patrícia Abravanel, Carlos Alberto de Nóbrega e Danilo Gentili, cada um dentro do seu contexto.
A saída do carisma e da liderança de Silvio Santos tornou ainda mais urgente preencher este vazio.
No jornalismo, por exemplo, o SBT Brasil ainda não conquistou um nome forte no ramo que possa resgatar credibilidade e atrair investimentos maiores.
Outro ponto sensível é o infantil: apesar da boa estética e direção de Bom Dia & Cia, seu foco restrito em crianças muito jovens, quase em nicho dentro do nicho, e não dialoga com as famílias e ignora que o público infantil migrou para o digital.
Também faltaria identificação regional; no Rio de Janeiro e em outras praças, a emissora pouco investe na produção local para construir conexão com os espectadores.
Perspectiva futura
Para se reposicionar, o SBT precisa equilibrar bem a nostalgia e a inovação. O resgate de programas clássicos como Porta da Esperança, Show do Milhão e a reformulação de The Voice Brasil mostra que o canal ainda tem fôlego para investir em atrações.
A consolidação da plataforma de streaming +SBT, os conteúdos nostalgia e reality shows podem expandir seu alcance, se adequadamente estruturados com nomes famosos e uma proposta digital forte.
Ao completar seus 44 anos, o SBT celebra sua história e enfrenta, simultaneamente, a necessidade de se reinventar.
Recuperar seu legado afetivo é um passo, mas consolidar seu futuro dependerá de estratégia, inovação e reconquista da confiança dos espectadores.
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