Leia a íntegra do discurso de Romeu Zema como pré-candidato à Presidência
Em discurso, governador defendeu que é preciso “varrer o PT do mapa”, criticou Alexandre de Moraes e fez coro pela saída do Brasil do Brics
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lançou neste sábado, 16, em São Paulo, sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio ocorreu durante o encontro nacional do partido Novo, em um auditório lotado na zona sul da capital paulista.
Em discurso, Zema defendeu que é preciso “varrer o PT do mapa”, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e fez coro pela saída do Brasil do Brics.
Ele destacou ainda ações de sua gestão em Minas, como investimentos em educação, segurança pública e atração de empresas, e apresentou-se como alternativa liberal para o país.
Leia abaixo a íntegra do discurso de Zema:
“Todo mundo tem um sonho. E quando a gente é criança, vive sonhando acordado. Algumas sonham em voar, outras em super-heróis, mas o meu sonho era ir no circo. Eu morava lá em Araxá, no interior de Minas, e quando o circo passava lá, era uma festa enorme. E eu vivia no pé do meu pai para ele me levar no circo, mais nada.
Ele tinha um posto de gasolina, o tempo, o dinheiro era contado. Meu pai trabalhava direto e eu, junto com ele, acordava de madrugada pra atender o caminhoneiro, que batia lá em casa precisando de alguma peça. Eu dividia o quarto com meu irmão, a parede dava para uma bomba de diesel, numa casinha de quarenta metros, e tinha uns ratinhos lá que incomodavam.
Aí, eu e meu irmão fizemos uma aposta com meu pai. Se nós pegássemos rato, a gente ia no circo. Eu tinha sete anos e aquilo virou uma obsessão pra mim. Montamos as ratoeiras e, com aquele queijinho gostoso, no mesmo dia, nós pegamos três ratos. E aí eu fui lá mostrar pro meu pai na hora e falar, agora nós temos de ir três vezes no circo. Concorda? Né?
Então a minha infância foi muito apertada, mas divertida. Eu pegava jabuticaba no quintal da minha tia, botava lá no carrinho e vendia na rua. Comprava bala no bar do João Perna e ajudava o meu pai lá no posto de gasolina. Ali eu aprendi a ser feliz com muito pouco, e isso me acompanha até hoje. E eu acho que é coisa de família. Meu bisavô chegou da Itália sem nada, foi trabalhar lá em Ribeirão Preto, no café, e ele queria prosperar, e o Brasil atraía imigrantes como uma terra de oportunidades. E ele veio aqui atrás desse sonho.
E nós estamos falando aqui do final do século XIX. A escravidão tinha acabado naquele momento e dá pra imaginar as condições que a minha família teve de encarar. Mas, aos poucos, eles foram se virando. Meu bisavô Domênico aprendeu a dirigir, saiu da enxada e virou chofer. Um grande orgulho.
Tempos depois, ele comprou carro usado e passou a fazer a linha Araxá à Uberaba, e nunca mais teve patrão. E foi assim que tudo começou. De um carro, ele passou para dois, montou uma oficina, um posto de gasolina e foi levando.
E de lá para cá, vivemos altos e baixos. Tivemos de encarar crises, planos econômicos, troca de moedas, tudo que quem empreende no Brasil conhece de cor e de dor. E fizemos de tudo para sobreviver, menos duas coisas. Nós nunca tivemos padrinho no governo e nunca vivemos de privilégio. E nunca passamos por cima da vida de ninguém! E hoje as nossas empresas faturam mais de dois bilhões por ano, têm mais de cinco mil pessoas diretas trabalhando.
E num país onde tantos sobem na vida só pelo favorecimento ou dando tombo nos outros, eu tenho muito orgulho de dizer que eu aprendi esses princípios do liberalismo não foi em livro, não. Foi dentro de casa, trabalhando e com exemplo A minha família é a prova de que dá para vencer sem puxar saco, sem passar por cima de ninguém. É nesse Brasil que eu acredito e vocês também.”
Até os 53 anos, a minha vida foi empreender. E eu sempre tive até aversão à política. Mas aí veio a crise da Dilma, tive de reduzir o quadro da empresa em mais de dois mil e quinhentos funcionários. Foi aquele momento terrível para o Brasil e aquilo me fez ficar inconformado e indignado.
Em Minas, foi pior ainda com o governo Pimentel. E foi exatamente nesse momento que veio o convite do Partido Novo, que tá fazendo agora dez anos de luta por um Brasil livre.
Mas muitos aqui sabem, antes de aceitar o convite do Partido Novo, eu fiz questão de ir atrás de uma psicóloga pra me dar atestado de sanidade mental, porque eu duvidava que eu podia estar tendo alguma alucinação. Mas lá em 2018, eu fiquei satisfeito, porque mais de setenta por cento dos mineiros que votaram comigo tiveram a mesma alucinação. E nós estamos mudando esse estado.
Pegamos um estado arruinado, salários atrasados, duzentos e quarenta mil servidores com nome no SPC Serasa, dívida de trinta bi, com prefeituras, bancos e fornecedores vencidas, outros cem bi com a União, as escolas desmoronando, os hospitais sem medicamento, sem combustível pra polícia rodar. Mas nada, nada simboliza melhor o desastre que foi o governo do PT, aquele partido que diz cuidar do social, do que a merenda que eles serviam nas escolas. Lá em Minas era uma água com um pouquinho de arroz. E eu que estudei em escola pública, sei o quanto a merenda escolar é importante. Mas hoje, no governo do Novo, nós investimos na merenda escolar 23 vezes mais do que o PT. Servimos uma das melhores refeições do Brasil e investimos só na educação o dobro que o PT investia.
Estamos fazendo hoje grande trabalho na segurança pública, tanto é que Minas é dos estados mais seguros do Brasil, mesmo sendo vizinho de estados onde as facções criminosas dominam. Em Minas, eu falo com orgulho, não tem um beco, não tem uma via pública onde a facção criminosa controle aonde a nossa polícia não entra. O nosso estado é cem por cento soberano.
E quando eu assumi, Minas Gerais era uma festa pro novo cangaço. Todos os anos, mais de cem cidades caíam na mão desses terroristas, que explodem bancos, agências bancárias, e o pior, fazem escudos humanos na hora de fugir. Mas nós, em 2021, acertamos as contas com eles lá em Varginha e nunca mais eles entraram em Minas Gerais.
Nós mostramos que quando tem governo de verdade, o bem sempre vai vencer o mal.”
E para dar um futuro longe do crime para a meninada e para a moçada, nós criamos o maior programa de formação profissional do Brasil, o Trilhas de Futuro.
E para fazer isso, não gastamos com construção de prédio novo, nem com a contratação de mais funcionários. O que nós fizemos, o que nós fizemos foi simples: nós colocamos o dinheiro na mão do jovem e ele escolhe o quê e onde quer estudar. O governo não impõe, ele só apoia. E é isso que nós queremos.
Já atraímos mais de 500 bilhões de reais em investimentos privados e criamos mais de milhão de empregos. E hoje, Minas Gerais responde por um terço do saldo da balança comercial do Brasil. E a maior parte disso não vem mais da mineração, e sim de uma fonte de riqueza renovável que é o agro.
Tudo isso só tem sido possível porque nós recuperamos a credibilidade do Estado. Conseguimos reduzir mais de 50 mil cargos, eliminamos as mordomias e arrumamos as contas e deixamos o governo muito mais leve para poder fortalecer o mineiro.
Nós estamos vacinados contra a receita fracassada da esquerda. O caminho para prosperidade nós já conhecemos, é apoiar a livre iniciativa e ter Estado que não atrapalha. E se foi possível fazer em Minas, é possível fazer no Brasil.
Minas é muito mais do que um Estado. Em Minas, todos os Brasis se encontram: o Brasil que planta, o Brasil que fabrica, o Brasil que inova e o Brasil que tem fé. Por isso, quando olhamos para Minas, a gente vê o que conseguiu e a gente percebe que o Brasil tem jeito, sim, porque o mesmo espírito que mudou Minas também está presente em todos os cantos do Brasil.
A indústria brasileira, nós sabemos, tem nomes como a Embraer, a Marco Polo, a WEG, Boticário, Cimed, empresas que inovam, competem no mercado global e mostram que o Brasil é capaz quando o governo deixa de atrapalhar. Elas são provas vivas de que existe um Brasil produtivo, moderno, competitivo, à espera de um governo sério.
E no agro, o futuro já é realidade. Empresas como a SLC, a Raizen, Cooxupé, Coamo mostram que nós somos cada vez mais competitivos. E agora não se trata mais de plantar e colher. É algoritmo, é geolocalização, é genética aplicada. Só falta o governo ter esse nível de profissionalismo. Concordam?
O mesmo vale também pro setor financeiro. O Brasil já virou referência em tecnologia bancária com NuBank, PagSeguro, C6, que criam soluções mais acessíveis do que qualquer banco público foi capaz. O que falta é o governo parar de atrapalhar e fazer regulamentação confusa.
E nem mesmo na área social o Brasil depende mais do Estado pra funcionar. O que tem de mais transformador hoje são empreendedores sociais que atuam onde o poder público falhou. É o caso do G10 das Favelas e da Gerando Falcões. O que eles precisam não é de tutela, é de liberdade e respeito. Esse é o Brasil real, o Brasil que não espera, o Brasil que não aceita favor nem esquema. É o Brasil que nós queremos, o Brasil que trabalha, inventa, arrisca, o Brasil bravo que vence e dá orgulho.
E é com esse Brasil bravo, é com ele que nós vamos chegar na Brasília. Vamos chegar à Brasília para varrer o PT do mapa. Vamos chegar à Brasília para acabar com os abusos e perseguições do Alexandre de Moraes. Nós vamos chegar à Brasília para libertar o Brasil.
Essas próximas eleições vão decidir o nosso futuro e nós vamos ter de acertar as contas com os três maiores inimigos desse país: o lulismo, os parasitas do Estado e as facções criminosas.
Hoje, nesse momento, 23 milhões de brasileiros vivem sob a tirania das facções. São pessoas que pagam mais caro pela água, pela internet, pela energia e pelo gás. E as facções ameaçam transformar o Brasil num narcoestado.
Em qualquer nação séria, decente, ocupação armada de território, como ocorre aqui, é considerada terrorismo. E o que o Brasil precisa fazer é mobilizar todas as forças de segurança contra essas organizações que matam pessoas de bem e que custam tão caro ao país. E temos de agir já com relação a isso.
Todo ano, o Brasil, infelizmente, gasta bilhões pra sustentar uma casta de privilegiados dentro do Estado. Só o Judiciário, mais de dez bilhões em salários acima do teto. Aposentadorias especiais, pensões idem, e isso segue em vigor no setor público. Quando se soma tudo isso, super salários, pensões, mordomias, essa conta ultrapassa cem bilhões de reais.
Reformar o Estado e liquidar esses privilégios é decisivo para o Brasil avançar.
O lulismo, nós sabemos, está afundando o Brasil e chegou a hora de virar essa página.
Ninguém sofreu tanto a crise de 2015 quanto os mineiros, atingidos pela recessão da Dilma e pela tragédia do Pimentel.
Quando eu assumi Minas, o Estado estava à beira do abismo e superamos aquele caos, administrando com firmeza. E o Brasil caminha hoje na direção de outra crise econômica, porque está crescendo à base de anabolizante.
A visão petista de que gasto é vida é uma idiotice sem tamanho, assim como a aproximação do Brasil de regimes autoritários e de nações que se opõem aos nossos valores ocidentais. Sai do BRICS, Brasil!
Vamos libertar o Brasil do lulismo e vamos fazer isso nas urnas!
A minha família veio para o Brasil em busca de liberdade e de prosperidade. Hoje, são os brasileiros que vão embora por medo da violência e por falta de oportunidade. Queremos todos eles de volta aqui para realizar os seus sonhos no próprio país deles, porque aqui o Brasil vai ser de novo essa terra de esperança para quem chega, para quem fica e para quem um dia pensou em partir.
O Brasil primeiro! Muito obrigado!”
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Comentários (1)
Fabio B
16.08.2025 21:52Esse Zema é um bostão mesmo, pqp. Não passa de um herdeiro oportunista tentando surfar no bolsonarismo, e segue a risca a agenda de surfar em todas as ondas atrás de popularidade.