Josias Teófilo na Crusoé: Cidades futuras brasileiras
Crise urbana pode ser resolvida com tradição colonial, beleza e planejamento
Já escrevi aqui projeto de casa brasileira que fosse uma síntese de brasilidade. Exercício semelhante pode ser feito em relação à cidade, que naturalmente incluiria a casa.
A cidade no Brasil precisa ser seriamente repensada, por múltiplos motivos.
Elas sofrem do inchaço, fruto da concentração urbana excessiva, da violência (com números semelhantes ao de uma guerra), da falta de planejamento, da corrupção, e do simples descuido.
Tanto são os problemas que algumas cidades brasileiras já começaram a diminuir, coisa que não havia acontecido até agora.
Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, cerca de um em cada quatro municípios brasileiros teve queda populacional em relação a 2010.
Para completar o cenário, os centros das cidades brasileiras estão ficando esvaziados — depois da pandemia, as pessoas começaram a comprar mais pela internet, e não voltaram a frequentar as zonas centrais, muito voltadas ao comércio.
A internet vai reconfigurar todo o cenário das cidades, porque não vai ser mais preciso se locomover como antes — empresas inteiras que não têm sede física, e cada vez mais pessoas trabalham de casa.
Eu vejo no meu bairro quarteirões inteiros sendo destruídos para a construção de prédios e me pergunto: “Vai ter gente para morar aí mesmo?”. Talvez não.
Se a situação da violência piorar, o caminho pode ser voltar para o campo.
O Brasil tem um imenso território que pode ser explorado e desenvolvido.
A cidade pode facilmente ocupar um território acidentado, que vai ser terraplanado mantendo o sentido geral do terreno. O nascimento de uma cidade não é motivado só por questões práticas ou objetivas mas também por motivos espirituais ou simbólicos.
Já escrevi aqui que o futuro é tradicional — os sinais disso não param de surgir, como o retorno ao catolicismo.
Os grandes movimentos da história têm um referencial do passado: o Renascimento foi baseado na Grécia Antiga, todos os grandes impérios modernos tinham como referência o Império Romano, como mostrou Olavo de Carvalho no livro O Jardim das Aflições.
A cidade brasileira do futuro pode ser inspirada na cidade colonial, que se espalha no terreno como “as contas de um colar” de acordo com Murilo Marx.
No ponto mais alto (num lugar acessível, evidentemente) ficaria…
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