O mundo real é uma simulação? Um cientista do MIT acredita que sim
Talvez a história contada na série de filmes “Matrix” não seja exatamente uma teoria da conspiração
Rizwan Virk, cientista da computação e pesquisador associado ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), revisou em julho a probabilidade de a humanidade estar vivendo em uma simulação, similar ao universo do filme Matrix, para aproximadamente 70%. A atualização da estimativa foi divulgada na nova edição de seu livro The Simulation Hypothesis.
Essa teoria é fundamentada em uma série de fatores, incluindo conceitos da física quântica, a natureza do tempo e do espaço, e, primordialmente, o rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e da realidade virtual. O atual estado do progresso tecnológico permite a criação de ambientes e personagens virtuais cada vez mais realistas, o que, estatisticamente, sugere uma maior probabilidade de nossa existência em um cenário simulado.
Impacto da inteligência artificial na ideia de realidade
O principal catalisador para a nova estimativa de Virk reside no avanço acelerado da IA generativa e da realidade virtual. Plataformas como ChatGPT, Google Gemini e Grok, da X, demonstraram uma evolução significativa nos últimos anos, passando o teste de Turing e desenvolvendo personagens rudimentares de IA capazes de interagir em mundos virtuais. Exemplos como o Google Veo, que cria vídeos realistas com atores e cenários totalmente gerados por IA a partir de prompts, e os companheiros virtuais do Grok, que combinam modelos de linguagem com avatares para atuar como amigos ou professores, ilustram essa capacidade crescente.
A capacidade gráfica e de resposta desses personagens tende a melhorar, aproximando o que Virk denomina “Teste de Turing do Metaverso”. Esses progressos levam a um conceito cunhado por Virk: o “ponto da simulação”, um momento em que a criação de mundos virtuais se torna indistinguível da realidade física, incluindo seres virtuais idênticos aos biológicos.
Segundo o argumento do filósofo Nick Bostrom, professor de Oxford, se civilizações avançadas podem gerar múltiplos mundos simulados, o número de seres simulados excederia amplamente o de seres reais, tornando estatisticamente mais provável a condição de simulação.
Cenários e probabilidades
As estimativas sobre a probabilidade de vivermos em uma simulação variam entre pesquisadores. Enquanto Bostrom inicialmente considerou 33,3% e depois ajustou para cerca de 20%, Elon Musk, em 2016, indicou uma chance de um em bilhões para a “realidade-base”. Neil deGrasse Tyson sugeriu aproximadamente 50%, e o cientista David Kipping, utilizando lógica bayesiana, chegou a um número um pouco inferior a 50%. Virk, por sua vez, baseia sua análise na evolução de tecnologias como realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA) e interfaces cérebro-computador, detalhando dez etapas rumo ao ponto da simulação em seu livro. Ele argumenta que a probabilidade de estarmos em uma simulação está ligada à capacidade de alcançar esse ponto.
Se essa capacidade for atingida, a probabilidade aumenta proporcionalmente. Virk avalia que a humanidade já percorreu mais de dois terços do caminho, elevando a chance de atingir o ponto da simulação para pelo menos 67%, possivelmente acima de 70%.
O que me faz ter certeza de que estamos vivendo numa simulação? São múltiplas explicações: da estranheza quântica à natureza peculiar do tempo e do espaço, passando por teoria da informação, física digital, argumentos espirituais e religiosos, e até uma explicação baseada em informação para “falhas na Matrix”, especula Rizwan Virk.
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