Governo Lula condena morte de membro da Al-Jazeera apontado como terrorista por Israel
Itamaraty divulgou comunicado em repúdio; Segundo as FDI, um deles era era um terrorista disfarçado de jornalista
O Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota nesta segunda-feira, 11, condenando com “veemência o assassinato de seis jornalistas palestinos” que atuavam para a emissora Al Jazeera, na Faixa de Gaza.
Um dos mortos, segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), era Anas al-Sharif. Segundo as autoridades israelenses, ele era um “terrorista atuando sob o disfarce de jornalista”.
Segundo o governo brasileiro, o ataque configura “ato de flagrante violação ao direito internacional humanitário e ao exercício da liberdade de imprensa”.
“O governo brasileiro condena com veemência o assassinato de seis jornalistas palestinos da rede Al-Jazeera, na Faixa de Gaza, Estado da Palestina, em ataque perpetrado pelas forças israelenses na noite de 10 de agosto. Os jornalistas foram atingidos por um ataque aéreo quando se encontravam em uma tenda junto ao hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza.
O novo ato de flagrante violação ao direito internacional humanitário e ao exercício da liberdade de imprensa por parte das forças israelenses eleva para mais de 240 o número de jornalistas mortos em Gaza desde o início do conflito. A cifra é eloquente quanto às sucessivas violações cometidas no período contra profissionais de imprensa.
O Brasil insta o governo de Israel a assegurar aos jornalistas o direito de desempenhar livremente e em segurança seu trabalho em Gaza, bem como a levantar restrições vigentes à entrada de profissionais da imprensa internacional no território”, diz o comunicado.
“Terrorista sob disfarce de jornalistas”
As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram a morte de Anas al-Sharif, que atuava para a Al-Jazeera sendo um “terrorista atuando sob o disfarce de jornalista”.
“O terrorista do Hamas Anas Al-Sharif, que se fazia passar por jornalista da Al Jazeera Al-Sharif era o chefe de uma célula terrorista do Hamas e dirigia ataques avançados com foguetes contra civis israelenses e tropas das FDI. Informações e documentos de Gaza, incluindo listas, registros de treinamento terrorista e folhas de pagamento, provam que ele era um agente do Hamas infiltrado na Al Jazeera. Uma credencial de imprensa não é um escudo para o terrorismo”, diz trecho da publicação no X.
Em outubro, as FDI divulgaram documentos apreendidos em Gaza que, segundo eles, “confirmam inequivocamente” a “afiliação militar de Sharif ao Hamas”.
Na época, informaram que ele comandava uma equipe de lançamento de foguetes e integrava uma companhia da força de elite Nukhba no batalhão East Jabalia do Hamas.
“Esses documentos servem como prova da integração do terrorista à rede de mídia Al Jazeera do Catar”, diz o Exército.
A Al Jazeera negou as acusações e afirmou que Israel tem “sistematicamente” alvejado seus jornalistas na Faixa de Gaza.
Em julho, a emissora afirmou que o porta-voz do Exército israelense, Avichai Adraee, publicou um vídeo nas redes sociais acusando Sharif de pertencer à ala militar do Hamas, o que classificou como falso.
Minutos antes de ser morto, Sharif registrou bombardeios israelenses em Gaza e postou nas redes sociais:
“Bombardeio incessante… Por duas horas, a agressão israelense sobre Gaza City se intensificou.”
“Megafone do Hamas”
Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (MEMRI, na sigla em inglês), Yigal Carmon, a Al Jazeera é o “megafone do Hamas“:
“O Catar deu a eles um canal 24 horas por dia. A guerra começou com uma declaração de guerra na Al Jazeera na manhã do sábado, 7 de outubro“, disse Yigal Carmon a Crusoé.
Leia mais: “Yigal Carmon, do MEMRI: “A Al Jazeera é o megafone do Hamas”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Marcos
11.08.2025 22:10UN condemns targeted Israeli attack that killed five Al Jazeera journalists https://www.bbc.com/news/articles/cq688qz3rlro
Marcos
11.08.2025 22:07Quem lê a matéria acha que o governo brasileiro é o único a condenar o assassinato do jornalista. Longe disso: https://p.dw.com/p/4yqPP