Saída do Brasil de aliança é erro, diz diretor do Museu do Holocausto
Carlos Reiss comenta decisão de Lula de retirar o país da condição de observador na Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA)
O diretor do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss, classificou como “erro” a decisão do presidente Lula de retirar o Brasil da condição de observador na Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
Para ele, “abandonar a diplomacia, abandonar o diálogo com outros países, abandonar as iniciativas multilaterais, é sempre um erro estratégico”.
Em entrevista à Folha, Reiss afirmou que o movimento rompe com um dos princípios históricos da política externa brasileira.
“É muito triste porque um dos princípios das nossas relações exteriores, desde o Barão do Rio Branco, é o universalismo. É dialogar com outros países, independentemente de ideologias, de blocos. E, ao invés de se sentar à mesa, o Brasil se levanta da mesa. Nossa tradição é abrir portas, e não fechar portas. Nossa tradição é de abraçar, e não de se isolar.”
O educador criticou a ausência de comunicação formal sobre a decisão e comparou o Brasil a outros países da região.
“Nos últimos 25 anos, a Argentina, por exemplo, teve presidentes peronistas, liberais. E sempre fez parte da IHRA. Existe debate lá dentro. Os países concordam, discordam. Mas ninguém se levanta da mesa. Muito menos sem qualquer tipo de comunicação oficial para a sua própria nação.”
Para Reiss, o argumento de que a saída estaria ligada à suposta instrumentalização da entidade por setores da direita não se sustenta.
“Isso deveria ir além de governos. É política de Estado. E, segundo, porque a educação sobre o Holocausto precisa ser um consenso em todas as vertentes políticas. Ou voltar a ser um consenso.”
O diretor afirmou ainda que a medida contraria os princípios que o próprio governo diz defender.
“A decisão de sair da IHRA como tentativa de construir uma blindagem retórica acaba indo contra os próprios valores que esse governo diz ter.”
“Profunda falha moral”
A retirada do Brasil da IHRA ocorreu no momento em que o governo Lula decidiu aderir formalmente ao processo movido pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas (CIJ).
O Ministério israelense das Relações Exteriores reclamou publicamente da decisão:
“A decisão do Brasil de se juntar à ofensiva jurídica contra Israel na CIJ, ao mesmo tempo em que se retira da IHRA [Aliança Internacional de Memória do Holocausto], é uma demonstração de uma profunda falha moral.
Numa época em que Israel luta por sua própria existência, voltar-se contra o Estado judeu e abandonar o consenso global contra o antissemitismo é imprudente e vergonhoso”, afirmou a pasta em comunicado.
Leia também: A volta do “anão diplomático”
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Comentários (2)
Marian
10.08.2025 18:14Uma decisão que não ao reflete o que a esmagadora maioria pensa, e o que as ruas demonstram. Lamentável
MARCOS
10.08.2025 14:19E DSDE QUANDO PETISTAS TEM MORAL PARA FALHAR? SÃO LIXOS MORAIS.