Viver sempre com calor pode envelhecer seu corpo da mesma forma que fumar, revelam estudos
Veja o que a ciência descobriu
Os verões em Phoenix não são apenas desagradáveis; eles podem também acelerar o envelhecimento do corpo humano. Em 2023, a cidade registrou mais de 140 dias com temperaturas superiores a 37,7°C. Novas pesquisas indicam que essas condições extremas de calor podem ir além dos danos imediatos à saúde e acelerar o envelhecimento biológico em longo prazo. Um estudo recente, publicado na revista Science Advances, aponta que pessoas em locais como Phoenix mostram sinais de envelhecimento acelerado a nível molecular. Além disso, a tendência global de aumento das temperaturas, conforme indica a Organização Mundial da Saúde, ressalta a importância de entender esses impactos em diferentes regiões climáticas e grupos populacionais vulneráveis.
A pesquisa revelou que a exposição prolongada a altas temperaturas tem um impacto no corpo comparável ao do consumo de álcool e tabaco. A gerontóloga Eunyoung Choi e sua equipe da Universidade do Sul da Califórnia descobriram que adultos de cidades quentes parecem ter cerca de 14 meses a mais biologicamente do que aqueles que vivem em regiões mais frescas. Essas descobertas mostram como o calor constante desgasta silenciosamente os sistemas internos do corpo.
Como o calor afeta a saúde e o trabalho das pessoas?
Mesmo pequenas diferenças no envelhecimento podem ter impactos significativos, afirma a gerontóloga Deborah Carr, da Universidade de Boston. O envelhecimento acelerado pode provocar condições como diabetes, demência e doenças cardiovasculares mais cedo, afetando a vida pessoal e profissional das pessoas. Além disso, questões de saúde que surgem precocemente podem levar ao afastamento do mercado de trabalho ou à necessidade de cuidados de longa duração, gerando impactos sociais e econômicos. Existem evidências crescentes de que trabalhadores expostos a altas temperaturas, como profissionais da construção civil, agricultura e transporte, estão entre os mais afetados, com aumento no número de afastamentos e baixa produtividade durante ondas de calor.

O calor pode afetar a expressão genética dos indivíduos?
A pesquisa focou na idade biológica mais do que na cronológica, usando amostras de DNA para rastrear mudanças associadas ao processo de metilação. Este processo químico não altera a sequência de DNA, mas sim a forma como os genes se expressam, podendo ser influenciado por fatores ambientais como calor, dieta inadequada e inatividade. Os pesquisadores utilizaram relógios epigenéticos para medir o envelhecimento, que revelaram que a exposição ao calor está ligada ao envelhecimento mais rápido. Novas linhas de estudo também avaliam se há reversibilidade nesses processos, dependendo da redução da exposição ao calor ou da adoção de estilos de vida saudáveis.
Quais são as possíveis mudanças no risco de doenças em função do calor?
O aumento da exposição ao calor foi associado a um envelhecimento acelerado nos relógios epigenéticos utilizados no estudo. Em modelos animais, a exposição ao estresse térmico deixa uma “memória epigenética” que altera a função das células imunológicas e cardíacas. Em humanos, o calor tem sido associado à redução da metilação de genes como o TLR-2, impactando a imunidade e a inflamação, o que pode acelerar o aparecimento de doenças. Pesquisas recentes apontam também para o aumento do risco de doenças renais, devido à desidratação recorrente, e agravamento de quadros respiratórios em períodos de calor intenso.

Quais são as preocupações futuras com o clima em aquecimento?
A mudança climática aumenta os riscos, com projeções de mais dias de calor extremo nos EUA até meados do século. À medida que a população envelhece, esses riscos se intensificam, já que as pessoas mais velhas não conseguem se resfriar tão eficazmente, e suas condições de saúde as tornam mais vulneráveis. As condições internas das residências também variam, com algumas pessoas vivendo em locais sem refrigeração adequada, enquanto outras têm acesso a ar-condicionado eficiente. Futuras pesquisas podem explorar como essa exposição diária afeta a saúde a longo prazo e nortear políticas de saúde pública mais eficazes. Além disso, há desafios adicionais para populações de baixa renda, que muitas vezes têm menor acesso a infraestrutura de resfriamento, aumentando as desigualdades em saúde diante do aquecimento global.
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