Azerbaijão e Armênia assinam acordo de paz com mediação dos EUA
Pacto cede direitos sobre corredor estratégico por 99 anos, visando fim de conflitos e expansão comercial, mas deixa questões por resolver
Armênia e Azerbaijão firmaram nesta sexta-feira, 8, um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos. O pacto, selado na Casa Branca, Washington, após meses de negociações, visa encerrar os conflitos e normalizar as relações entre as duas nações do Cáucaso. Assinaram o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, e o presidente dos EUA, Donald Trump.
O documento concede aos Estados Unidos direitos exclusivos de exploração econômica do Corredor de Zangezur, uma região de relevância estratégica no sul armênio, por um período de 99 anos. A medida busca resolver uma disputa territorial de longa data e fomentar a cooperação regional.
Detalhes do acordo e disputas
A iniciativa, resultado do engajamento pessoal do presidente Trump, prevê que um consórcio indicado pelos EUA será responsável pelo desenvolvimento econômico da área, incluindo a instalação de redes de energia, fibra ótica, petróleo e gás. Embora sob concessão, o local permanecerá sob jurisdição da lei armênia e será denominado “Rota Trump para a Paz Internacional e a Prosperidade”.
O Corredor de Zangezur, com cerca de 40 quilômetros de extensão, está localizado entre o enclave de Nakhichevan e a região de Nagorno-Karabakh (Artsakh). Nagorno-Karabakh foi o ponto de uma guerra entre Azerbaijão e Armênia em 2020, resultando no controle total de Baku sobre a área e na saída de toda a população armênia. Desde o término do conflito, o Azerbaijão tem exercido pressão para controlar essa área, buscando uma conexão direta entre o país, o enclave de Nakhichevan e a Turquia, sua aliada.
“– A Armênia e o Azerbaijão prometem cessar todos os conflitos para sempre, abrir relações comerciais, de viagem e diplomáticas e respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro”, disse Trump no encontro.
O pacto prevê o fim das restrições impostas aos azeris relacionadas à venda de equipamentos de defesa, em vigor desde a primeira guerra com os armênios, nos anos 1990.
Trump também demonstra interesse em integrar o Azerbaijão aos Acordos de Abraão, visando a normalização de laços entre países de maioria muçulmana e Israel. Essa inclusão é vista pela Casa Branca como uma estratégia para ampliar sua influência na Ásia Central e mitigar a presença econômica e política chinesa.
Repercussões e desafios
O primeiro-ministro Pashinyan classificou a declaração conjunta como um “resultado revolucionário”, abrindo um novo capítulo de “paz, prosperidade, segurança e cooperação econômica no sul do Cáucaso”. O presidente Aliyev elogiou o papel de Trump, afirmando que ele “traz paz ao Cáucaso” – e sugeriu sua indicação ao Prêmio Nobel da Paz.
Algumas questões sensíveis permanecem. O texto não trata da situação dos mais de 100 mil civis que deixaram Nagorno-Karabakh após o conflito de 2020. Representantes de grupos de defesa armênios argumentam que a verdadeira paz deve se fundamentar na justiça e responsabilização pelas violações de direitos humanos no Azerbaijão.
Entre os países impactados negativamente, o Irã é um dos principais, perdendo um acesso direto e irrestrito à Armênia e observando uma potência antagônica, os EUA, estabelecer uma presença econômica e política próxima a seu território. A Rússia, que se considera a principal força do Sul do Cáucaso, também tem visto sua influência diminuir.
Baku e Erevan se comprometem a deixar o Grupo de Minsk da Organização Para a Cooperação e Segurança da Europa, do qual a Rússia fazia parte, indicando que não o consideram mais necessário para resolver as disputas regionais.
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