Petrobras retorna ao mercado de distribuição de gás de cozinha
Essa decisão marca uma reviravolta após a venda da Liquigás em 2020, que afastou a companhia deste segmento
A Petrobras anunciou na noite da quinta-feira, 7 de agosto, a aprovação, por parte de seu conselho de administração, do retorno da empresa à distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha.
Essa decisão marca uma reviravolta após a venda da Liquigás em 2020, que afastou a companhia deste segmento.
O novo enfoque da estatal será integrado ao seu plano estratégico, conforme divulgado em comunicado oficial.
A Petrobras ressaltou que o intuito é “operar em negócios lucrativos e estabelecer parcerias na área de distribuição, sempre respeitando as obrigações contratuais vigentes”.
Referindo-se a essas obrigações, a companhia mencionou a cláusula de não competição que impede sua atuação na distribuição de combustíveis líquidos — como gasolina e diesel — até 2029. Essa restrição é uma consequência do contrato de venda da BR Distribuidora, realizada em 2021.
O reposicionamento da Petrobras no setor de distribuição será guiado por três pilares principais: a comercialização de GLP, a integração com outras atividades no Brasil e no exterior, além da oferta de soluções sustentáveis para seus clientes.
No entanto, a empresa não detalhou como se dará esse retorno nem os mercados nos quais atuará, se focando na venda em grandes quantidades para clientes corporativos ou na comercialização de botijões para consumidores finais.
Liquigás
A venda da Liquigás gerou controvérsias, especialmente entre membros do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Ambos argumentam que a estatal poderia desempenhar um papel crucial na contenção dos preços dos botijões de gás.
Lula expressou sua indignação em um evento recente no Rio de Janeiro: “O botijão de gás é vendido pela Petrobras para as empresas a R$ 37. Não tem explicação [para] ele chegar para o povo a R$ 120, a R$ 130 a R$ 140. Alguém tá ganhando muito dinheiro”, disse Lula.
A Liquigás foi adquirida por um consórcio que inclui as concorrentes Copagaz e Nacional Gás Butano, além da Itaúsa, por um montante equivalente hoje a R$ 5,3 bilhões.
Para obter aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), os ativos da empresa foram fracionados.
Tanto Lula quanto Magda têm criticado também a venda da BR Distribuidora — atualmente conhecida como Vibra — para investidores privados.
A crítica se baseia na perda do poder regulador da estatal sobre os preços dos combustíveis nos postos de gasolina.
Leia mais: “Apologia ao roubo da Petrobras”, diz Moro sobre PT exaltar Vaccari
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)