Gustavo Nogy na Crusoé: Como lidar com Donald Trump?
É preciso que exista um mundo geopolítico e economicamente viável para o que ou quem virá depois dele
Peço ao leitor que, estimulado pelo espírito que anima esta revista, suspenda por alguns minutos a descrença e se imagine aventureiro como o próprio Robinson Crusoé.
Um Robinson Crusoé que, depois de uma tumultuada viagem terminada em naufrágio, chegasse a uma certa ilha, muito grande e muito bonita, é verdade, mas habitada por canibais democráticos, cativos ideológicos e revoltosos parlamentares.
Não bastasse, ainda tivesse de lidar com as ameaças de um pirata estrangeiro. Imaginou?
Não precisa. Aos de pouca imaginação, nascer no Brasil é vantajoso. Para viver certas experiências, que em terras politicamente mais civilizadas exigiriam do cidadão bastante esforço cognitivo e boas referências ficcionais, aqui, basta abrir os olhos e constatar que é tudo de verdade, até o que parece de mentira.
Por exemplo: o instável presidente de uma potência estrangeira, da qual em grande medida dependemos, nos ameaça com tarifas que são, mais que tarifas comerciais, sanções políticas.
O que fazemos então?
Em qualquer outro país, situação e oposição, eleitos e aspirantes à eleição, esquerda e direita, junto aos líderes dos (idealmente) moderados Poderes, sentariam à mesma republicana mesa para conversar, aparar temporariamente as arestas, elaborar uma estratégia que preservasse nossos interesses e, por fim, escolher as vias e os representantes oportunos para que as negociações chegassem a bom termo.
Para eles? Não, para nós, o povo. O povo que paga e pagará as contas, a quem tudo isso interessa.
Mas estamos no Brasil e no Brasil nada pode ser tão simples.
Situação e oposição, Lula e Bolsonaro, além dos respectivos militantes nas ruas e dos entusiastas nos meios de comunicação, estão só interessados em resolver seus próprios problemas, a despeito ou à custa dos problemas alheios.
Bolsonaro, inelegível, quer escapar da cadeia.
Lula, eleito, saiu dela para se prender no Planalto.
Ambos se aproveitam dos interesses mútuos e do mútuo desinteresse pelo Brasil.
Enquanto Eduardo Bolsonaro se orgulha de plantar vento, Lula se regojiza por colher a tempestade.
E a economia, a gente vê depois?
O presidente americano Donald Trump é, e faz questão de ser, uma espécie de bully internacional.
Se, no primeiro mandato, ele foi capaz de se conter (ou foram capazes de contê-lo) em um quadrante constitucional…
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Comentários (1)
Otreblig50
02.08.2025 22:20Vocês conhecem o termo ESTELIONATÁRIO, o Buarque de Holanda, AMANSSA !!! Mas se quiserem ver a Imagem Perfeita de um ícone do tipo, procurem uma foto do trump. Ele é a concretização máxima do tipo penal ESTELIONATÁRIO, mas não é o único. Tem CALABARES associados !!