Justiça colombiana declara ex-presidente culpado por suborno de testemunhas
Álvaro Uribe, que presidiu a Colômbia entre 2002 e 2010, é acusado de pressionar, manipular e subornar testemunhas
O 44º Tribunal Penal de Bogotá declarou culpado nesta segunda, 28, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, de 73 anos, pelo crime de corrupção de testemunhas e fraude processual.
Uribe, que presidiu o país entre 2002 e 2010, está sendo julgado em processo em que é acusado de pressionar, manipular e subornar testemunhas para mudarem depoimentos que o ligavam a grupos paramilitares. Esses grupos surgiram na Colômbia na década de 1980 para combater guerrilhas marxistas.
Segundo a juíza Sandra Liliana Heredia Arana, ele teria oferecido – por meio de advogados – benefícios a testemunhas em troca de depoimentos favoráveis.
“A primeira propina em um processo criminal, em termos da materialidade da conduta punível, foi comprovada”, afirmou a magistrada.
Durante o julgamento, Uribe disse sentir uma “dor na alma” por ser o primeiro ex-presidente do país a ter que se defender na Justiça e afirmou ser vítima de “conspiração idealizada por juízes e opositores que usaram interceptações [telefônicas] ilegais” para obter provas contra ele.
O caso teve origem em 2012, quando o próprio Uribe acusou o senador Iván Cepeda de obter um falso testemunho contra ele sobre as origens do paramilitarismo em Antioquia. No entanto, a coleta de provas alterou o curso do caso e apontou para uma estratégia de manipulação de testemunhas, o que levou Cepeda de acusado à vítima e o próprio Uribe a ser investigado.
Em 2018, a Corte Suprema da Colômbia abriu uma investigação sobre o ex-presidente.
Em 2020, Uribe foi colocado em prisão domiciliar por ordem da Suprema Corte e renunciou ao Senado. O caso foi arquivado pela Procuradoria-Geral, contudo, três anos depois, um juiz reabriu o processo.
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