“Dia sombrio”, “vassalização”: políticos franceses criticam acordo da UE com EUA
"É um dia sombrio quando uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar seus valores e defender seus interesses, renuncia à submissão", escreveu o primeiro ministro francês
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo, 27 de julho, um acordo comercial com a União Europeia que estabelece uma tarifa de 15% sobre as exportações do bloco europeu para os EUA — metade dos 30% inicialmente previstos.
O acordo, considerado por Trump como “o maior já assinado”, implica um aumento nas tarifas, que antes eram de 10%.
A União Europeia também se comprometeu a adquirir US$ 750 bilhões em energia americana e a investir mais US$ 600 bilhões nos EUA.
Durante a conferência de imprensa após a assinatura do acordo no último domingo, von der Leyen o qualificou como um “bom acordo”, capaz de eliminar barreiras tarifárias em setores estratégicos, incluindo a indústria aeronáutica.
Reação da França
O primeiro-ministro da França reagiu em tom dramático, nesta segunda-feira, 28 de julho, ao anúncio feito neste domingo por Ursula von der Leyen e Donald Trump acerca do acordo comercial alcançado em cima da hora pela Comissão Europeia:
“É um dia sombrio quando uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar seus valores e defender seus interesses, renuncia à submissão”, escreveu François Bayrou, em seu perfil no X,
A declaração de Bayrou ecoou em toda a política francesa, com o deputado do Republicanos, Laurent Wauquiez, comentando no Twitter: “Estamos aceitando nossa submissão à Comissão Europeia?”.
“Os Estados Unidos decidiram impor uma nova lei da selva pela força”, escreveu também o ministro do Comércio Exterior, Laurent Saint-Martin.
A ala esquerda da política também reagiu com veemência. Jean-Luc Mélenchon, líder do partido La France Insoumise, disparou contra o acordo ao afirmar que “tudo foi cedido a Trump.” Ele pediu um movimento de insurreição contra o que chamou de “império” americano.
Outros líderes da esquerda, como Manuel Bompard e Éric Coquerel, chamaram o pacto de “acordo da vergonha”, enquanto o eurodeputado Anthony Smith declarou que se tratava de uma “capitulação” em vez de um acordo comercial justo.
Para ele, os 15% de tarifas e os compromissos financeiros assumidos pela UE representam uma rendição inaceitável.
O Partido Socialista também manifestou seu desagrado com Pierre Jouvet, deputado europeu do PS, denunciando a situação como uma forma de “vassalização” da Europa. Ele criticou a complacência da Comissão Europeia diante da perda de empregos e proteção ambiental.
Marine Le Pen, presidente do grupo RN na Assembleia Nacional, descreveu o acordo como um “fiasco político, econômico e moral”, argumentando que a França não deveria aceitar cláusulas tão desfavoráveis.
Ela afirmou que as condições acordadas são inferiores às obtidas pelo Reino Unido e denunciou a submissão da França aos interesses americanos.
Outros países europeus
As reações foram menos dramáticas nos outros países europeus. O chanceler alemão Friedrich Merz elogiou o acordo por evitar tensões comerciais desnecessárias e o ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, adotou uma postura cautelosa.
A primeira-ministra Giorgia Meloni da Itália considerou prematuro qualquer julgamento definitivo sobre os termos acordados.
Viktor Orbán
O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, cujas relações com a presidente da Comissão Europeia não são amistosas, comparou a negociação a uma derrota pessoal para Von der Leyen.
Em uma transmissão ao vivo no Facebook, ele ironizou dizendo que “Donald Trump não apenas negociou com Ursula von der Leyen; ele comeu Ursula von der Leyen no café da manhã”
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Comentários (1)
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
28.07.2025 12:33Macron está muito fraco na França. Esse o resumo da notícia.