Entenda como agir diante de um síndico autoritário
Papel do síndico é distorcido quando ele ignora decisões da assembleia e impõe regras sem aprovação dos condôminos
O síndico exerce um papel essencial na administração do condomínio, sendo o representante legal da coletividade de moradores.
No entanto, quando esse papel é distorcido e o síndico passa a agir de forma autoritária, ignorando as decisões da assembleia, impondo regras sem aprovação dos condôminos ou utilizando o cargo para benefício próprio, o prejuízo à convivência e à gestão transparente é imediato.
Nesses casos, é fundamental que os moradores conheçam seus direitos e saibam como agir.
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O que caracteriza um síndico autoritário?
Segundo o advogado Felipe Faustino, “um síndico autoritário é aquele que toma decisões unilaterais, desrespeita o regimento interno, ignora deliberações da assembleia e age sem transparência na gestão dos recursos do condomínio”. Esse comportamento pode gerar insegurança jurídica, conflitos entre moradores e até prejuízos financeiros para o condomínio.
Entre os exemplos mais comuns de autoritarismo estão:
- Contratação de serviços sem aprovação da assembleia;
- Proibição de uso de áreas comuns sem justificativa legal ou sanitária;
- Retaliações a moradores que questionam a gestão;
- Falta de prestação de contas ou transparência financeira.
Qual o papel do síndico, de acordo com a lei?
O Código Civil, no artigo 1.348, define claramente as atribuições do síndico, entre elas:
- Representar o condomínio ativa e passivamente;
- Cumprir e fazer cumprir a convenção, o regimento interno e as decisões da assembleia;
- Prestar contas à assembleia, anualmente e quando exigido;
- Cuidar da conservação das áreas comuns e da prestação de serviços essenciais.
“O síndico deve sempre agir com base na legalidade e na coletividade. Ele não é dono do condomínio, mas um gestor escolhido pelos condôminos para administrar de forma transparente”, reforça Felipe Faustino.
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Como agir diante de abusos?
Moradores que se sentem lesados por atitudes autoritárias do síndico devem seguir alguns passos:
- Documente tudo: registre decisões abusivas por escrito, e-mails, comunicados e assembleias.
- Solicite esclarecimentos formais: envie notificações ou e-mails solicitando explicações sobre decisões tomadas.
- Converse com outros condôminos: muitas vezes, outros moradores também estão insatisfeitos e o apoio coletivo é fundamental.
- Peça a convocação de uma assembleia: se um quarto dos condôminos assinarem o pedido, é possível convocar uma assembleia para discutir a conduta do síndico.
- Considere a destituição: o artigo 1.349 do Código Civil prevê que o síndico pode ser destituído por decisão da assembleia, convocada especialmente para esse fim, caso cometa irregularidades, não preste contas ou pratique má gestão.
Como funciona o processo de destituição?
Para destituir um síndico, é necessário:
- Convocar uma assembleia extraordinária com essa pauta específica;
- Contar com quórum de maioria simples dos presentes (salvo previsão diferente na convenção);
- Apresentar provas de má gestão, autoritarismo ou outras irregularidades que justifiquem a decisão.
“É fundamental seguir o rito legal e respeitar os direitos do síndico durante o processo. Qualquer abuso pode ser questionado judicialmente e reverter a destituição”, alerta Felipe Faustino.
Quando recorrer à Justiça?
Se o síndico se recusar a convocar assembleias, impedir a participação dos condôminos ou houver suspeitas de fraude, os moradores podem recorrer ao Poder Judiciário. A ação judicial pode solicitar a convocação de assembleia, a prestação de contas ou até a destituição, com base em provas consistentes.
Equilíbrio
A convivência em condomínio exige equilíbrio, respeito às normas coletivas e atuação responsável por parte do síndico. Quando isso não acontece, os condôminos devem agir de forma organizada e dentro da legalidade. “A democracia condominial deve ser preservada. O síndico é um gestor, não um soberano”, conclui Felipe Faustino.
Se você suspeita de uma gestão autoritária, busque orientação jurídica e mobilize sua comunidade. A boa administração é um direito de todos.
Por Rafael Bernardes, CEO do Síndicolab, e Felipe Faustino, advogado no escritório Faustino & Teles
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