Como sua conta de luz está virando um imposto disfarçado
Em 2025, Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) bateu 49,2 bilhões de reais, um aumento de 32,4% em relação a 2024
O brasileiro está pagando a conta – literalmente – da ineficiência energética, da má gestão e da expansão descontrolada de encargos escondidos.
Em 2025, o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) bateu 49,2 bilhões de reais, um aumento de 32,4% em relação a 2024. Quem paga? O consumidor.
A estrutura tarifária virou um pesadelo: o que deveria ser uma cobrança por energia virou uma máquina arrecadatória que financia políticas públicas, sem transparência e sem escolha do pagador.
Como escapar
Guilherme Donabella, CEO da ESG Power e consultor de energias renováveis, destaca que “a adoção da energia solar pelos condomínios representa não apenas uma resposta estratégica ao aumento insustentável das tarifas de energia, mas um avanço civilizatório rumo à democratização do acesso à sustentabilidade”.
“Estamos testemunhando o surgimento de micro-redes urbanas que reduzem a dependência do modelo centralizado, onerado por subsídios cruzados e ineficiências políticas. Ao investir em geração distribuída com inteligência, os condomínios deixam de ser apenas unidades consumidoras e passam a ser protagonistas da transição energética, gerando valor econômico, ambiental e social em escala local”, completa Donabella.
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O golpe silencioso
Quase 48% da sua conta vai para encargos e impostos.
A tarifa cresceu 177% desde 2010, o dobro da inflação (IPCA).
Mesmo quando o país tem energia sobrando, a conta aumenta – não por escassez, mas por encargos.
A ironia da energia solar
Enquanto o governo promove subsídios para gerar energia limpa, o custo de manter esse sistema recai sobre quem ainda não migrou para geração distribuída. É como um Robin Hood às avessas: quem pode instalar placas economiza; quem não pode, banca o benefício do outro.
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A farsa da regulação
A ANEEL virou uma executora de políticas definidas pelo Congresso. A agência que deveria regular, hoje apenas carimba aumentos. O mecanismo de bandeiras tarifárias, criado para educar o consumidor, virou um cassino: vermelho, amarelo, verde… e a fatura sempre mais alta.
A solução está no telhado
Condomínios, empresas, comércios e famílias que migraram para energia solar escapam – ao menos em parte – desse caos regulatório. Em São Paulo, o payback já chega a 3 anos. A conta de energia vira previsível, sustentável e, o mais importante, protegida da sanha tributária.
Estamos a um passo de um apagão financeiro
Quando se esgotarem os truques de antecipação de receitas e privatizações para pagar dívidas passadas (como a Conta Covid), o aumento tarifário pode vir de uma vez só. Um verdadeiro “penhasco tarifário”.
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O que fazer agora?
- Cobrar do Congresso uma revisão da CDE;
- Exigir transparência linha a linha na conta;
- Migrar para geração própria;
- Colocar a energia como pauta prioritária nas eleições.
O que está em jogo não é só a conta de luz, é o modelo de governança energética.
Quem continuar refém da tarifa regulada vai pagar por todos. A hora de agir é agora. No seu condomínio. No seu negócio. E na sua consciência política.
Por Rafael Bernardes, CEO do Síndicolab, e Felipe Faustino, advogado no escritório Faustino & Teles
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