Sem citar Trump, Lula fala em uso do comércio para coerção e chantagem
Petista afirmou que a "extrema-direita latino-americana" trocou "tanques" pelo controle de "algoritmos" nas redes sociais
O presidente Lula (PT) acusou nesta segunda-feira, 21, a “extrema-direita organizada” de utilizar o comércio como “instrumento de coerção e chantagem”, após participar do evento ‘Democracia Sempre’, realizado no Chile.
Em postagem no X, sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o petista afirmou que os “inimigos da democracia” deixaram de lado os “tanques e das canhoneiras” e agora “controlam algoritmos”, além de promoverem ataques às “instituições, ciência e às universidades”.
Segundo Lula, as “forças progressistas” devem se unir para recuperar “várias bandeiras” que já foram do espectro da esquerda.
Eis a íntegra da sequência publicada pelo petista no X:
“A extrema direita organizada internacionalmente oferece um novo Consenso de Washington (ou melhor, um novo Dissenso de Washington): anti-democrático, negacionista e intervencionista.
Os inimigos da democracia não recorrem mais à diplomacia dos tanques e das canhoneiras. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Promovem uma guerra cultural. Utilizam o comércio como instrumento de coerção e chantagem. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. Solapam a solidariedade entre as nações.
A extrema direita latino-americana é subserviente e saudosa de antigas hegemonias. É anti-soberana e abdica da autodeterminação dos povos. Essa é a principal ameaça à construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo.
As forças progressistas precisam recuperar várias bandeiras que um dia já foram nossas. E precisamos fazer isso unidos, sem dispersão. Ninguém vive numa redoma, isolado dos dilemas da humanidade. Somos herdeiros de longa tradição que vem das lutas de independência, da abolição da escravidão, da conquista de direitos trabalhistas e do voto universal.
Nossa missão histórica é a de ser portadores da esperança e promover a igualdade e o desenvolvimento sustentável.”
Tarifaço
Após o encontro com presidentes sul-americanos, Lula disse que o governo brasileiro enfrenta com “certa tranquilidade” o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre os produtos nacionais.
Segundo o petista, a “guerra tarifária” só terá início na hora em que ele “der resposta” a Trump.
Ele também criticou as condições impostas pelo republicano, contidas na carta enviada com anúncio da nova tarifa, classificando as exigências como “não adequadas”.
Leia mais: “Guerra tarifária vai começar na hora que eu der a resposta ao Trump”, diz Lula
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