Lula acusa EUA de “chantagem inaceitável” contra instituições brasileiras
Em discurso para cadeia de rádio e TV, o petista rebateu críticas ao Judiciário e prometeu medidas em defesa da "soberania nacional"
O presidente Lula (PT) fez um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão na noite desta quinta-feira, 17, em que acusou o governo dos Estados Unidos de praticar uma “chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras.”
“Minhas amigas e meus amigos, fomos surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto. O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras e com informações falsas sobre o comércio brasileiro”, afirmou.
No pronunciamento, o petista rebateu as críticas do governo americano ao Judiciário brasileiro e respondeu à alegação de que os EUA estariam em desvantagem na balança comercial com o Brasil.
“No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional“, disse.
Lula também afirmou que “esse ataque ao Brasil tem apoio de alguns políticos brasileiros” que, segundo ele, são “verdadeiros traidores da pátria”.
O petista saiu em defesa do sistema de pagamento Pix, após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), com base na investigação nos termos da ‘Seção 301’, apontar a modalidade como desleal ao mercado americano.
“Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo e vamos protegê-lo“, afirmou.
“Se necessário, usaremos todos os recursos legais para defender a nossa economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional“, disse.
O Antagonista transcreve a íntegra do discurso:
“Minhas amigas e meus amigos,
Fomos surpreendidos, na última semana, por uma carta do presidente norte-americano anunciando a taxação dos produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto. O Brasil sempre esteve aberto ao diálogo. Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos.
Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional. Só uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as oportunidades que as pessoas precisam.
Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.
Minhas amigas e meus amigos, a defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais ou estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras. No Brasil, ninguém, ninguém está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia. Além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças, adolescentes e, em alguns casos, levando à morte e desacreditar às vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas.
Minhas amigas e meus amigos,
Estamos nos reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos. Essa é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o comércio, o setor de serviço, o setor agrícola e os trabalhadores. Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer.
Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo.
Minhas amigas e meus amigos,
A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de 410 bilhões de dólares. O Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente. Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia e estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030.
Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo e vamos protegê-lo.
Minhas amigas e meus amigos,
Quando tomamos posse na Presidência da República, em 2023, encontramos o Brasil isolado do mundo. Nosso governo, em apenas dois anos e meio, abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior. Estamos construindo parcerias comerciais com a União Europeia, a Ásia, a África e nossos vizinhos da América Latina e do Caribe.
Se necessário, usaremos todos os recursos legais para defender a nossa economia. Desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.
Minhas amigas e meus amigos,
Não há vencedores na guerra tarifária. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça, o Brasil tem um único dono: o povo brasileiro.
Muito obrigado.”
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