Tarifa de Trump foi presente para Lula
Pesquisa indica que desconhecimento da população brasileira sobre o assunto deixa muito espaço para o discurso do governo
Donald Trump não definiu direito o alvo de sua tarifa adicional de 50% para os produtos brasileiros, e essa confusão parece exatamente o que Lula (foto) precisava para melhorar a própria popularidade.
O petista já vinha colhendo melhora na aprovação com a apelativa e perigosa campanha de pobres contra ricos, usada para aumentar os impostos no Brasil, e o tarifaço de Trump, que vem sendo reivindicado pela família Bolsonaro, colabora para isso, como registrou o Lulômetro.
Nesta terça-feira, 15, uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indicou que o desconhecimento da população brasileira sobre o tarifaço deixa muito espaço para o discurso do governo Lula.
A pesquisa não indica apenas que a aprovação de Lula está melhorando, mas que o discurso nacionalista do governo, baseado numa defesa de ocasião da soberania, tem ambiente para reverberar, ainda mais quando alimentada por aqueles que se dizem opositores do petista.
De quem é a culpa?
Segundo o levantamento da AtlasIntel, 40,9% dos brasileiros atribuem a tarifa adicional de 50% a “retaliação contra a participação do Brasil nos Brics”.
Como destacou reportagem de Crusoé, o presidente americano protestou contra as políticas “antiamericanas” do Brics no domingo, 6, horas após o grupo divulgar sua declaração final.
Quase a mesma proporção de brasileiro (36,9%) apontou, contudo, a opção “atuação da família Bolsonaro junto a Donald Trump” como principal causa da tarifa.
Se a culpa não é de Lula, como argumenta a família Bolsonaro, mas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o petista pode assumir confortavelmente o papel de vítima dessa história e, mais do que isso, posar de defensor do Brasil diante da ameaça americana — e Lula já tinha até boné para isso.
Retaliação
Para 51,2% dos 2.841 eleitores ouvidos de 11 a 13 de julho,, o governo brasileiro deveria aumentar tarifas sobre produtos americanos como retaliaçnao, apesar de essa medida não ter impacto considerável para os Estados Unidos.
Para 28,6%, a melhor resposta seria “reforçar relações diplomáticas e comerciais com rivais dos Estados Unidos, como a China”. Outros 14,5% escolheram a opção “reduzir a dependência do dólar americano”.
Apenas 2,4% optaram por “suspender pagamentos de direitos autorais e patentes de medicamentos americanos”, e outros 1,5% selecionaram “impor restrições a investimentos norte-americanos”.
Na verdade, qualquer dessas retaliações aprofundaria uma crise que o Brasil não tem condições de enfrentar. Mas o fato de a população brasileira não ter noção clara sobre isso permite a Lula fazer seu discurso irresponsável de enfrentamento, para tentar aumentar ainda mais sua popularidade enqunato finge atuar para solucionar a crise.
Inimigo externo
A pesquisa também indicou uma piora progressiva da imagem de Trump no Brasil desde novembro de 2023. A imagem negativa subiu de 47% para 63,2%, e a positiva caiu de 47% para 31,9%. A visão negativa dos Estados Unidos também cresceu desde janeiro, de 44,5% para 50,5%.
Além disso, a aprovação da política externa do governo Lula está em 60,2%, segundo a pesquisa, segundo a qual ele representa o país melhor do que Jair Bolsonaro para 61,1%. Mas esses dados conflitam com outros da própria pesquisa, que indicam que a coisa não é tão simples assim.
A maioria dos consultados considera ruim a aproximação do Brasil com países como Venezuela, Cuba, Irã e Rússia, amigos de Lula, e está insatisfeita com a distância em relação a Estados Unidos, Alemanha, Ucrânia, Reino Unido, Argentina e Israel, eleitos pela gestão Lula como adversários.
O contraste entre essas informações sugere que esse apoio à política externa de Lula, que subiu de 49,6% em novembro de 2023 para os atuais 60,2%, está sob influência da atual crise tarifária com os Estados Unidos.
É o bote salva-vidas de Trump e da família Bolsonaro para um governo que naufragava em impopularidade.
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