Nunes rejeita troca de anistia por fim de tarifa de Trump
Prefeito da capital afirma que defender exportações paulistas não pode ser condicionado a agenda política de Bolsonaro
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda, 14, que “as coisas não podem se misturar”, ao ser questionado se apoiaria uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro em troca do fim do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump a produtos brasileiros.
A declaração foi dada à GloboNews em resposta à proposta defendida por parlamentares bolsonaristas como solução para os prejuízos provocados pela sobretaxa, que entra em vigor em 1º de agosto.
Nunes reiterou que a defesa dos interesses da população deve ser prioridade de qualquer governante.
Segundo ele, decisões sobre tarifas não são unilaterais e envolvem fatores técnicos e diplomáticos. A sobretaxa foi anunciada por Trump após decisões da Justiça brasileira que mantêm Bolsonaro inelegível até 2030.
O prefeito também afirmou que os interesses do estado de São Paulo devem ser defendidos pelo governador, os do país pelo presidente e os do município pelo prefeito.
“Sou contra qualquer tarifa que prejudique produtos paulistas, independentemente de quem a imponha”, disse. Em 2024, 19% das exportações paulistas tiveram como destino os Estados Unidos, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços.
Ao comentar o cenário eleitoral, Nunes afirmou que, como democrata, acredita que Bolsonaro deveria disputar as eleições de 2026.
Ele defendeu que a decisão sobre o futuro do ex-presidente cabe à população nas urnas, não ao Judiciário. “Não acho que esse seja o melhor caminho”, disse sobre a cassação dos direitos políticos de Bolsonaro.
As declarações de Nunes coincidem com as do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também se opôs às tarifas e defendeu a candidatura de Bolsonaro.
Ambos evitam, porém, vincular publicamente a pauta econômica a um eventual acordo de anistia no Congresso.
Propostas legislativas com esse objetivo circulam na Câmara e no Senado, mas enfrentam resistência de parlamentares da oposição e de setores do Judiciário.
Nunes sinalizou ainda que pretende cumprir o mandato até 2028, mas deixou aberta a possibilidade de disputar o governo estadual em 2026, afirmando que não negaria um pedido de Tarcísio.
O MDB discute internamente a formação de uma chapa competitiva para a sucessão estadual, com apoio do atual governador.
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