Um curso para petistas na Unicamp?
Deputado estadual cobra abertura de sindicância após universidade oferecer curso de extensão em parceira com fundação ligada ao PT
O deputado estadual Rafa Zimabaldi (Cidadania) pediu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a abertura de uma sindicância para apurar o oferecimento do curso de extensão “Desenvolvimento, trabalho e políticas públicas, promovido pela Fundação Perseu Abramo (FBA), um braço de formação político-ideológica do Partido dos Trabalhadores (PT), em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O parlamentar também encaminhou o mesmo ofício ao reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, cobrando explicações formais.
No documento, Zimbaldi questiona um dos critérios estabelecidos no edital da seleção para o curso que, segundo ele, avalia a “base em trajetória política e sindical”.
“Tal solicitação se faz por conta do princípio da transparência, tendo em vista a importância no processo seletivo para os referidos cursos. Vale salientar que a UNICAMP é uma das maiores instituições de ensino do Brasil, não podendo haver distinção por política partidária dentro do campus, sendo democraticamente para todos.
Fico estarrecido com a possibilidade de haver escolhas não democráticas para ingresso neste curso, como por exemplo os participantes serem selecionados com base em trajetória política e sindical.
Por fim, solicito o encaminhamento do edital lançado para abertura do curso “Desenvolvimento, trabalho e políticas públicas”, de responsabilidade da Fundação Perseu Abramo“, diz trecho.
De acordo com o edital, as 100 vagas da primeira turma da extensão eram “destinadas a militantes, pessoas que atuam nas estruturas de partidos políticos, candidatos e similares”.
Segundo o site da fundação petista, a formação é “destinada à capacitação de filiados e de simpatizantes do PT; de integrantes de movimentos sociais; e de servidores públicos“.
A primeira edição do curso foi concluída na última semana.
A aula inaugural foi ministrada pelo presidente do do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, que já presidiu a FBA entre 2012 e 2020. O líder do do Movimento Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, também ministrou uma das aulas.
O edital prevê a abertura de turmas direcionadas à formação de militantes até 2029.