Orlando Tosetto Júnior na Crusoé: O que é o tal IOF
A gente tem dificuldade de saber exatamente quanto paga, mas, seja qual for a taxa, o governo achou que era pouco, e resolveu aumentar
Vivendo e aprendendo. Depois de saber, um bocadinho a contragosto, do episódio que entrará para os anais (opa) históricos nacionais como “o imbróglio do IOF”, me dei conta de que eu não sabia o que é o tal IOF.
Brasileiro bem típico, eu estava a ponto de assumir posição ferocíssima a respeito do “imbróglio do IOF” – brigar em almoço de família, bater boca no metrô, xingar muito em rede social – sem ter a menor ideia do assunto e de que lado defender. Aliás, nem sabia quais eram os lados em disputa.
Nos velhos tempos dos jornaes, revistas, almanachs e encyclopedias, eu talvez tivesse trabalho para descobrir o básico. Hoje, entretanto, tudo está a um clique de distância.
Quer dizer: podemos fazer cada vez menos coisas, mas as poucas coisas que ainda podemos fazer, as fazemos cada vez mais depressa. É uma compensação, não é?
Vai daí que, feito o clique, diminuí um pouco a minha ignorância e descobri que IOF quer dizer “Imposto sobre Operações Financeiras”, nome que é o encurtamento de “Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários”.
Nobre imposto
Nomão comprido assim é de príncipe ou de rei. O amigo duvida? Veja então o nome completo de Dom Pedro II: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Áustria.
Nobre imposto portanto é o IOF, ainda que não seja d’Áustria e não tenha Bibiano nem os arcanjos no meio do nome – e nos pese, afinal, mais do que a Coroa nos pesava.
Porque a Coroa, embora tivesse lá seus nomões, seus viscondes e barões, seus bailões na Ilha Fiscal e, sim, seus impostos, não cobrava IOF. As Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários do Machado de Assis não pagavam esse imposto.
Já a República o cobra. E, como é Democrática…
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