Os conselhos de Temer a Lula sobre a crise tarifária
Ex-presidente diz compreender a resposta do presidente, mas aposta no diálogo para minimizar os impactos
O ex-presidente Michel Temer defende que o diálogo e a negociação são o único caminho viável para o governo brasileiro diante da tarifa de 50% imposta pelo presidente americano Donald Trump sobre as exportações do país, com início previsto para 1º de agosto. Temer ressaltou sua própria experiência bem-sucedida em diplomacia durante o mandato, que evitou sanções comerciais semelhantes no passado.
Com ou sem mesóclise, diálogo
O presidente, que esteve à frente da República entre agosto de 2016 e dezembro de 2018, lamentou a medida tarifária americana, mas reiterou sua crença de que a situação pode ser contornada por meio de uma comunicação eficaz. Ele enfatizou a necessidade de as diplomacias de ambos os países atuarem proativamente em busca de uma solução.
Em entrevista ao portal Neofeed, Temer recordou um episódio semelhante de março de 2018, quando sua gestão enfrentou a ameaça de impostos adicionais de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio brasileiros, justamente no primeiro mandato de Trump.
Naquela ocasião, Trump, que considerava o Brasil um aliado, anunciou a suspensão da cobrança dias depois para o Brasil e outras nações como Argentina, Canadá e México. Para Temer, o êxito em evitar tais encargos deveu-se à intensa busca por negociação.
Ele observou que o presidente americano já impôs tarifas a diversas nações no passado e posteriormente reverteu suas decisões.
A colisão de política e economia
O cenário “propício” para a tarifa de 50% se formou após a reunião dos BRICS no Rio de Janeiro, em 6 e 7 de julho, em que críticas genéricas sobre aumento de tarifas que “ameaçam reduzir ainda mais o comércio global” desagradaram o presidente americano.
Em 9 de julho, uma carta enviada por Trump ao Palácio do Planalto revelou as motivações políticas. Bem mais do que comerciais, para o aumento de 40 pontos percentuais na alíquota sobre o Brasil. No documento, o líder republicano criticava o sistema judiciário brasileiro, mencionando especificamente o Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de estado.
Michel Temer considerou prejudicial a mistura de questões políticas com as disputas comerciais. Ele defendeu que a negociação é possível e pode dissipar a “especulação política muito acentuada” que emergiu da situação. O ex-presidente previu que a manutenção da tarifa a partir de 1º de agosto resultará em um impacto significativo na economia brasileira, afetando produtos essenciais como petróleo e aço.
Questionado sobre a reação inicial do governo Lula, Temer avaliou que a resposta – louvou à soberania nacional e crítica pela decisão dos EUA – foi inevitável, e a única reação possível naquele momento. Comparando com sua própria abordagem, entretanto, marcada por “muito diálogo”, tanto interno quanto externo, Temer admitiu incerteza sobre como o governo atual procederá.
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Comentários (1)
Angelo Sanchez
11.07.2025 20:50Resumindo o conselho de Temer, o “descondenado” deve parar de falar mherda a respeito de Trump. O mundo inteiro sabe que O “descondenado” ficou um ano preso por corrupção e só foi solto e descondenado por um bando de ministros do STF que resolveram pagar pelas suas nomeações nos governos petistas.