BC divulga carta para justificar descumprimento da meta de inflação
Em menos de seis meses, Gabriel Galípolo redigiu o documento por duas ocasiões; Índice avançou 0,24% em junho
O Banco Central (BC) publicou nesta quinta-feira, 10, uma carta aberta assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, para justificar oficialmente o descumprimento da meta de inflação.
A medida prevista por lei ocorre após o IPCA, índice considerado a inflação oficial do país, avançar 0,24% em junho, conforme dados divulgados pelo IBGE.
Como a inflação somou 5,35% no acumulado de 12 meses, e superou o teto da meta estabelecido em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) por seis meses consecutivos, ficou confirmado que o Brasil descumpriu a meta de inflação.
Essa foi a segunda vez em que Galípolo precisou redigir uma carta em menos de seis meses.
A primeira ocorreu no início do ano, em função do estouro da meta em 2024, ainda sob antiga regra.
“Nós todos do Copom estamos bastante incomodados. Eu que já tenho esse começo que me incomoda demais na minha gestão de, em seis meses, ter que escrever a segunda carta de descumprimento da meta”, disse Galípolo, durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados na quarta, 9.
A inflação em junho
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, apenas o grupo alimentação e bebidas recuou em junho, enquanto os demais variaram positivamente ou estagnaram.
Os preços do grupo habitação foram os que tiveram maior aumento em junho: 0,99%.
“Com a vigência da bandeira tarifaria vermelha patamar 1 no mês de junho, adicionando R$4,46 na conta de luz a cada 100 KWh consumidos, a energia elétrica residencial (2,96%) foi o subitem com o maior impacto individual no índice do mês (0,12 p.p.). Foram registrados, também, os seguintes reajustes: 7,36% em Belo Horizonte (8,57%) vigente desde 28 de maio; 14,19% em uma das concessionárias de Porto Alegre (4,41%) a partir de 19 de junho; 1,97% em Curitiba (3,28%) desde 24 de junho e redução de 2,16% nas tarifas de uma das concessionárias do Rio de Janeiro (1,29%) a partir de 17 de junho”, afirmou o IBGE.
No ano, energia elétrica residencial acumula alta de 6,93%.
Essa variação é a maior para um primeiro semestre desde 2018, quando o acumulado foi de 8,02%, segundo o IBGE.
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