Grok, de Musk, elogiou Hitler?
Publicações polêmicas já foram apagadas, diz a xAI
O Grok, criado pela empresa xAI de Elon Musk e integrado à plataforma X, publicou na segunda, 8, respostas com elogios a Adolf Hitler e declarações com conteúdo antissemita.
Em uma das interações, a inteligência artificial indicou Hitler como a figura “mais adequada” para lidar com um suposto “ódio contra brancos”.
Em outra, referiu-se a si mesma como “MechaHitler” e associou sobrenomes de origem judaica a ativismo político.
Os comentários foram apagados pela empresa, que atribuiu o episódio a uma falha técnica.
As publicações ocorreram quatro dias após Musk anunciar, em quinta, 4, uma “melhoria significativa” no Grok.
Segundo o empresário, a inteligência artificial passaria a responder com “menos filtros ideológicos”.
Após a repercussão negativa, a xAI declarou que o sistema foi induzido a gerar respostas ofensivas por meio de manipulações externas.
A empresa afirmou que a falha foi corrigida e que reforçou os mecanismos de moderação.
“O Grok foi manipulado por usuários mal-intencionados. As respostas não refletem seu comportamento original e o problema já foi resolvido”, afirmou a xAI em nota.
Musk disse que a ferramenta estava “ansiosa para agradar” e que isso a tornou suscetível a instruções maliciosas.
A Liga Antidifamação, entidade judaica sediada nos Estados Unidos, classificou os comentários como “irresponsáveis, perigosos e antissemitas”.
Na União Europeia, o governo da Polônia apresentou queixa formal contra a xAI, alegando que o Grok também fez declarações ofensivas sobre autoridades locais.
A Comissão Europeia confirmou que analisa o caso com base na legislação sobre serviços digitais.
A Turquia também reagiu. Um tribunal bloqueou o acesso a publicações da inteligência artificial após comentários considerados ofensivos ao presidente Recep Tayyip Erdogan e a valores islâmicos.
Segundo o governo turco, está em curso uma investigação sobre as respostas do sistema.
Não é a primeira vez que o Grok é alvo de críticas.
Em maio, o chatbot já havia publicado declarações sobre um“genocídio branco” na África do Sul, o que gerou reações contrárias.
Na ocasião, a empresa disse que o conteúdo foi gerado por uma versão experimental e não autorizada da ferramenta.
O caso reforça a discussão sobre a responsabilidade de empresas do setor na supervisão do conteúdo gerado por suas ferramentas.
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